A Morte do Demônio: remake ou releitura de um clássico?

•15/04/2013 • Deixe um comentário

Saudações,

Depois de meses sem escrever uma linha sequer aqui, um bom motivo me tira da corrida rotina cotidiana: a estreia de A Morte do Demônio, esperada adição à franquia Evil Dead, criada em 1981 por Sam Raimi. Bom, antes de qualquer outro comentário acerca do tema, já vou adiantar que adorei o filme, achei excelente e desde já recomendo.

Poster oficial da Sony para o filme no Brasil

Poster oficial da Sony para o filme no Brasil

Falar Evil Dead é um algo que pode causar certa polêmica, já que há fãs e FÃS do filme original, sua refilmagem do próprio Raimi (chamada aqui no Brasil como Uma Noite Alucinante) e uma sequência mais voltada para a ação e para a comédia do que para o terror. Os mais fervorosos, saibam que sou fã dos três filmes, entendo cada um como uma peça de arte independente uma da outra, inspiradas no mesmo tema do clássico de 1981, e digo de antemão que o que escreverei a seguir nada tem a ver com o passado, à exceção das referências que usarei para construir a análise do filme que estreia no final desta semana, mais precisamente no dia 19 de abril de 2013.

Feitas as ressalvas, vamos ao que interessa – A Morte do Demônio, de 2013.

Já me perguntaram no Facebook se é o Sam Raimi quem dirige o novo filme. A resposta é não, ele é o dono da festa, mas tem função de produtor e deu total liberdade criativa para o diretor, o uruguaio Fede Alvarez, que escreveu o roteiro ao lado de seu colaborador Rodo Sayagues. E essa resposta nos leva a outra série de questões a respeito do lançamento, já que muita gente pensava se tratar de um remake, realizado pelo próprio Raimi, renovando o sucesso que o revelou para o alto escalão de Hollywood. Honestamente, digo que FELIZMENTE, não foi Raimi quem conduziu as câmeras ou a caneta. Entretanto, tudo passou por seu crivo e aprovação antes de ganhar vida na tela, portanto, podem ficar sossegados.

A sinopse curta de A Morte do Demônio é a seguinte: Mia, seu irmão e mais três amigos partem para um retiro em uma cabana que pertence à família da garota. A meta é passar uns dias lá para que Mia se afaste das drogas, já que ela tem tido problemas para controlar seu vício depois que sua mãe morreu. O que os jovens não sabem é que a casa foi palco de um ritual para expulsar um demônio poderoso e que um livro que estava lacrado no porão pode libertar a entidade novamente. Sem saber disso, um dos visitantes abre o livro e pronuncia algumas passagens dele – o que é o bastante para iniciar uma sequência de possessões, mortes e brutalidade, tudo para abrir a passagem para o demônio tomar de assalto a terra.

Deste ponto do texto em diante, começo a fazer comparações, então, quem não quer saber muito sobre o filme, contente-se com o que escrevi até agora, respire fundo e prepare-se para um espetáculo de sustos, aflições, gore e sangue a rodo no cinema. Continuando…

…Fede Alvarez está debutando no cinema norte-americano e já começa apadrinhado por Sam Raimi e Bruce Campbell, que aprovaram o texto que ele e seu colega Rodo Sayagues escreveram, baseados no original. A ideia, segundo Fede em várias entrevistas que vi dele sobre o tema, foi retomar o conceito violento e ousado do original, mas atualizando a história, com a liberdade de fazer mudanças na estrutura, respeitados certos limites. Limites estes que o diretor/roteirista seguiu bastante de perto, já que ele muda o protagonista, cria uma introdução para a trama e dá outro mote para a viagem à cabana, entre outras coisas mais.

O fatídico livro aberto...

Em poucas palavras, a versão de Alvarez para A Morte do Demônio não é uma refilmagem, em minha opinião. Trata-se de uma releitura, que atualiza, que renova a história, mas que não perde em termos de força e de entretenimento, comparando-se com o original, suas obras derivadas e com outros sucessos recentes do gênero, como as refilmagens de A Hora do Pesadelo, Halloween, a série Jogos Mortais e diversos outros exemplos. O que mais me chamou a atenção no filme foi a forma como ele é conduzido mesclando itens do trabalho de 1981, novos elementos, efeitos visuais mecânicos e digitais, música e ambiente, o que somados gera um ar macabro dentro da sala. Se o filme fosse em 3D, teria gente que morreria do coração lá dentro, de verdade.

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Para concluir, vou deixar no ar os pontos mais importantes da trama, para não estragar a diversão de vocês que estão lendo este texto. Vejam abaixo o trailer do filme, legendado, e estudem com carinho a possibilidade de ir ao cinema. Garanto que quem for, terá uma experiência intensa, que pode ser boa ou ruim, dependendo do estômago de cada um. Mas não se preocupem, pois A Morte do Demônio não vai contra nenhum preceito moral e cívico do público, nem tem como proposta causar efeito social, político ou religioso. O filme é entretenimento extremo, com boas doses de adrenalina.



Espero que vocês gostem. Em breve, posto resenhas de outros filmes que vi recentemente. Só não digo quando para não frustrar ninguém caso eu não consiga parar para escrever.

Nota 10 de 10.

 

 

Hora do troco

•12/09/2012 • Deixe um comentário

 

Resident Evil 5: Retribuição, quinto episódio da famosa franquia, chega aos cinemas nacionais, novamente em 3D

Quem não conhece Resident Evil? O jogo cult que arrepiava a espinha da garotada no final dos anos 1990 e foi adaptado para o cinema pela primeira vez em 2002 chega ao seu quinto filme. Os motes agora são a vingança e, claro, a sobrevivência. A fórmula para repetir o sucesso dos outros filmes da franquia, da bela e conhecida protagonista estar de volta, é o uso da tecnologia 3D, que rendeu ao título anterior da série, Resident Evil 4: Recomeço (2010), ótima bilheteria internacional, superando a marca de US$ 295 milhões de arrecadação.

Em Resident Evil 5: Retribuição, que tem distribuição da Sony e chega às telas no dia 14 de setembro, Alice (Milla Jovovich) continua sua luta contra a Umbrella Corporation, conglomerado industrial responsável por contaminar a população com o letal T-Vírus, que transforma as pessoas em zumbis canibais. Alice desperta no coração do laboratório e precisa, além de descobrir mais sobre o seu passado, achar um meio de ajudar um grupo que ainda resiste ao domínio da corporação sobre a sociedade. No elenco, estão de volta Michelle Rodriguez, Oded Fehr e Sienna Guillory, repetindo seus papéis dos filmes anteriores. Paul W. S. Anderson, criador da cinessérie e produtor de todos os filmes da franquia, volta à desempenhar as funções de diretor e roteirista – o que ele já tinha feito no primeiro e no quarto volumes de Resident Evil no cinema.

A Nova Era dos Zumbis

•05/09/2012 • Deixe um comentário

Os zumbis são figuras já comuns no entretenimento. O que surgiu como folclore ou mitologia da América Central ganhou as telas da forma como vemos hoje pelas mãos do cineasta norte-americano George A. Romero em A Noite dos Mortos-Vivos. Mas essa parte da história já foi contada aqui. O interessante é que a moda não ficou presa apenas ao cinema e, posteriormente, ao home vídeo. Ela partiu para outras mídias, sendo retratada nos quadrinhos e, mais recentemente, nos vídeo games. E este é o ponto de partida da hoje famosa série de games e de filmes de Resident Evil.

Apesar da grande quantidade de produtos derivados do tema, os mortos vivos estouraram no mundo dos games em 1996, quando a japonesa Capcom criou um jogo para o console PlayStation chamado Biohazard. A história era bem simples, porém, assustadora e inovadora.

Em Raccoon City, uma série de crimes violentos, com toques de canibalismo, estão acontecendo e uma unidade especial da polícia é enviada ao local para investigar. A primeira equipe chega à cidade e desaparece, o que faz com que a central envie um segundo grupo de investigadores para descobrir o que aconteceu. Neste grupo estão Jill e Chris, personagens que o jogador controla em diferentes momentos da trama. O que eles descobrem é que a Umbrella Corporation está realizando testes com um vírus (o T-virus), que foi liberado no ar e causou uma série de mutações nos moradores da região.
O sucesso foi enorme e logo gerou continuações para o game, que migrou para outros consoles também, como o Sega Saturn e o Nintendo 64. Até 2010, quase 30 variações de Biohazard, batizado em sua versão ocidental de Resident Evil, foram lançadas desde 1996. Com o surgimento de novas plataformas, como PlayStation 3, Xbox e demais consoles, mais versões do famoso game pintaram – e ainda serão produzidas, enquanto houver demanda.

O desenvolvimento da versão cinematográfica de Resident Evil foi realizado por Paul W. S. Anderson, cineasta britânico cuja carreira ganhou destaque internacional depois que ele adaptou para a telona o game Mortal Kombat com muito sucesso. Entre altos e baixos nos anos seguintes, Anderson escreveu o roteiro de Resident Evil, que ele levou para as salas de cinema em 2002 e foi muito bem nas bilheterias. A história do filme, no entanto, fugiu um pouco da linha narrativa do game original, já que Anderson criou uma personagem nova Alice (interpretada por Milla Jovovich) e a colocou no cenário do jogo, combatendo o mesmo inimigo que Chris e Jill faziam nos consoles, a Umbrella.


Ainda sob a batuta de Paul W. S. Anderson, não como diretor, mas como produtor e roteirista, surgiram outros filmes dando sequência à bem-sucedida trama criada no filme de 2002. Em 2004, a personagem Alice ressurge em Resident Evil 2: Apocalipse. A valente heroína desperta em um laboratório em Raccoon City, que agora está tomada pelos mortos vivos. O exército decide exterminar qualquer ser vivo dentro dos limites da cidade, para evitar que a praga escape e tome o mundo. Alice então se une a um grupo de soldados para evitar que isso aconteça. Outro sucesso de público.


A terceira parte da saga de Alice acontece em 2007, quando Anderson recruta o cineasta Russell Mulcahy para dar um toque mais apocalíptico ainda a Resident Evil, que ganha o subtítulo de “A Extinção”. Como o nome já sugere, o planeta agora está tomado de zumbis e são os humanos que vivem cercados, tentando sobreviver. Alice novamente se vê em um laboratório de clonagem quando desperta e descobre que possui habilidades sobrehumanas. Ela parte para o deserto, onde está um grupo de nômades, a quem ela ajuda a encontrar um local seguro para recomeçar a vida. Mas não antes de enfrentarem dezenas de mortos-vivos.
Novamente, boas bilheterias mundo afora. Até 2007, a franquia somava quase US$ 400 milhões somente nos cinemas, fora o home vídeo.

Paul W. S. Anderson, criador da série de filmes, estava em busca de renovação da saga de Alice (sempre Jovovich, agora sua esposa) e seus amigos, que sobreviveram ao caos de Resident Evil 3: A Extinção (2007). Porém, como reinventar algo que já foi bastante explorado em três filmes? A solução não estava apenas na trama, mas na apresentação dela. Em alta hoje no mundo inteiro, a tecnologia de exibição em três dimensões parecia ser a saída ideal para dar novo fôlego ao novo capítulo. E foi isso mesmo o que aconteceu em Resident Evil 4: Recomeço.

Em adição ao recurso tecnológico para as filmagens, o roteiro, novamente assinado por Anderson, tratou de desfazer o que muitos fãs do game acharam ruim quando o primeiro filme foi lançado – trazer os personagens originais do jogo para a telona. Com isso, Jill Valentine (que já havia aparecido no segundo filme, vivida por Sienna Guillory) retorna e encontra seu parceiro de game, Chris Redfield, além de outros personagens dos outros filmes. A premissa continua a mesma, com Alice buscando derrubar a Umbrella Corporation, ao mesmo tempo que tenta ajudar os sobreviventes a encontrar um lugar seguro, supostamente conhecido como Arcádia.


Se os três filmes anteriores somaram juntos algo perto de US$ 400 milhões, a quarta parte sozinha somou cerca de US$ 280 milhões. O 3D realmente deu certo para a franquia Resident Evil, pois o quinto filme da série, Resident Evil 5: Retribuição será lançado com versões em três dimensões. E há mais uma novidade: desta vez, o filme chega também em IMAX.

Maré de Sangue

•31/08/2012 • Deixe um comentário

Saudações,

Um dos gêneros mais divertidos do Terror, o Slasher tem algumas características bastante peculiares, que rapidamente coloca os filmes desta categoria entre os favoritos dos marmanjos. Apenas para citar algumas, de modo geral, um Slasher perfeito possui belas garotas, um assassino motivado, uma trama interessante e muitas mortes. Citando alguns exemplos deste subgênero, temos o clássico Psicose (1960, de Alfred Hitchcock), Noite do Terror (1974, de Bob Clark) e o recente Pânico (1996, de Wes Craven). Os mais famosos são os filmes da série Sexta-Feira 13 e seus derivados, claro.

Agora, por que estamos tendo essa conversa? Antes de falar sobre Maré de Sangue, que a PlayArte colocou nas lojas agora em junho, era preciso estabelecer para o leitor alguns parâmetros de o que é preciso para se ter um Slasher bacana, para falar o mínimo. Pelo visto, quem teve a ideia de produzir Maré de Sangue esqueceu de fazer a lição de casa.

O filme começa com uma garota seminua perambulando por um tipo de pântano, aparentemente fugindo de alguma coisa ou de alguém, quando é puxada por gancho que lhe é enfiado nas costas por um ser vestido de pescador profissional. Daí o link para o nome, Maré de Sangue, cujo original seria The Watermen, ou ‘os marujos’ ou ‘homens do mar’. Feitas as apresentações, a trama principal começa com três garotas tomando sol na casa de um playboy chamado Trailor (Jason Mewes, o Jay dos filmes de Kevin Smith), que irá levá-las para um passeio de barco logo mais. Conversa vai, conversa vem e o assunto de todo o papo é o tamanho da genitália e da conta bancária do rapazote, entre outras frivolidades.

 

 

Paralelamente a isso, dois rapazes estão navegando perto dali, sendo que um deles está pesquisando a água e o outro reclamando e bebendo, observando a paisagem. Ao chegar ao porto, eles encontram Trailor, que os convida para integrar a festinha de logo mais. Quando os seis jovens partem para alto-mar, mal sabiam eles que o grupo despertaria nos navegadores locais a vontade de fazer um banquete com os turistas como prato principal. Já distante da costa, o iate pifa e fica à deriva, para o desespero de todos. E quem vem para ajudar? Os ‘homens do mar’ locais, que prontamente servem água fresca para os sedentos garotos. Só que a água estava batizada com um sedativo e todos apagam, despertando horas depois em um lugar que se parece com um açougue. O que vem a seguir pode ser resumido em peitos, mutilações e sangue, literalmente.

 

É duro resumir um filme dessa forma, mas é a triste realidade. A arte do DVD é bem interessante e a premissa também. Mas o que se vê ao apertar o play do aparelho é bem diferente da ideia inicial. O roteiro é muito obvio e didático demais, explicando muito as situações e tirando qualquer mistério que possa haver. Depois, as câmeras abusam dos closes no sangue e tripas, marcando um ambiente vermelho e escuro demais. A dose de nudez é até suficiente, sem sexo explícito, mas com as velhas espiadinhas do quarto das meninas na hora em que elas se trocam e tal. Tudo muito trivial. E aí vem a pior parte – sim, dá para piorar – que é o elenco. Conseguiram escalar um time de idiotas para interpretar… Idiotas! Não há emoção alguma além das traquinagens do personagem Trailor (já falo dele), dos dilemas das ‘gostosas’ e gritos e mais gritos.

Trailor é um caso à parte. Sou fã do trabalho do cineasta Kevin Smith. Desde O Balconista, passando por toda sua filmografia, incluindo o bom Seita Mortal (que logo resenharei aqui no blog). Para quem conhece Smith e seus filmes, há um par de personagens muito engraçados e totalmente sem noção – Jay e Silent Bob.

Jay, como eu disse antes, é vivido por Jason Mewes. Já Silent Bob é o próprio Kevin Smith. E a dupla está em quase todos os filmes do cara, o que obviamente marca bastante os atores que os interpretam – caso de Jason Mewes. O Trailor de Maré de Sangue parece que foi feito para o Jay entrar em cena, o que funciona a certa altura, mas que destoa de um Slasher em grande parte do filme. Sinceramente, eu fiquei esperando a hora em que Trailor/Mewes ia soltar um ‘snoochies moochies’ ou fala similar. Se serve de consolo, ele é um dos primeiros a morrer.

É isso. Vi Maré de Sangue com muita expectativa e pode ser por isso que fiquei ‘P’ da vida quando terminei de assistir. Se me perguntarem se eu recomendo, digo que você está por sua conta e risco. Também há a opção de ver o filme para ver se minha resenha bate. Boa sorte!

Nota 5 de 10.

Confira o trailer de Maré de Sangue abaixo:

Ficha Técnica:
Maré de Sangue
(The Watermen)
Gênero: Terror/Suspense – Origem: EUA/2011 – Direção: Matt L. Lockhart – Elenco: Jason Mewes, Richard Riehle, Floyd Abel – Duração: 89min – Classificação Indicativa: NF – Já nas lojas, em DVD, pela PlayArte

Zumbis e afins

•31/08/2012 • 1 Comentário

Mortos que voltam das tumbas?

Apesar de sempre presentes na mídia, pouco se sabe da origem dos zumbis. O termo tem origem africana e possui dois significados similares “alma que vagueia pela noite” e “alma de outro mundo, espírito ou fantasma”. E é justamente com base na mitologia africana que nasceu o primeiro filme sobre o assunto: Zumbi Branco (White Zombie), dirigido por Victor Halperin e estrelado por Bela Lugosi. A trama está centrada em um casal que chega ao Haiti e cai em desgraça quando a mulher é levada por feiticeiro local e tem sua alma capturada, tornando-se um zumbi.

O conceito de zumbi como um morto que retorna da tumba para devorar os vivos nasceu pelas mãos do cineasta norte-americano George A. Romero, que se tornou uma sumidade neste subgênero do terror. Romero é responsável pelo já clássico A Noite dos Mortos-Vivos (1969, NBO Entertainment), que literalmente abriu as portas para muitas outras produções como esta surgissem. O mesmo Romero dirigiu outros filmes na mesma seara: Despertar dos Mortos (1978), Dia dos Mortos (1985, NBO), Terra dos Mortos (2005, Universal), Diário dos Mortos (2007, Imagem Filmes) e Ilha dos Mortos (2009, Imagem Filmes). E depois disso ainda vieram as adaptações dos zumbis para contaminados por pragas, maldições etc. Isso sem falar na franquia Resident Evil, que tem seu quinto filme chegando aos cinemas nacionais no dia 14 de setembro. Mas isso é tema de outro post.

Quando os zumbis tomam as ruas

A legião de fãs que acompanham os filmes de terror em que figuram os mortos vivos é tão fascinada pelo tema que conseguiu fazer com que os zumbis saíssem das telas e ganhassem as ruas de algumas das principais cidades mundiais – inclusive no Brasil. Não, os mortos não voltaram a vida de verdade, mas quase! O que acontece é que os fãs se reúnem em suas cidades e organizam caminhadas em que os participantes se vestem e se maquiam como se fossem mortos vivos. Este movimento nasceu em Sacramento, nos EUA, em 2001, e ganhou o nome de Zombie Walk. Acontece uma vez por ano, em diferentes datas, ao redor do planeta.

No Brasil, a Zombie Walk já passou por mais de 40 cidades, grandes e pequenas, e costuma acontecer em novembro, no feriado de Finados (dia 2 do referido mês). Ocasionalmente, o evento pode acontecer fora de época, caso da edição 2010 ocorrida em Curitiba (PR), durante o Carnaval. Para saber mais sobre a Zombie Walk visite os sites
http://www.zombiewalk.2fear.com/
(de São Paulo/SP),
http://www.zombiewalk.com.br/
(Porto Alegre/RS),
http://zombiewalklondrina.blogspot.com/
(Londrina/PR) ou
http://www.zombiewalk.com/forum/blog_home.php
(internacional).

Guia de Terror esteve na Zombie Walk de São Paulo em 2011. Confira as fotos clicando aqui.

Sessão Cult: Re-Animator

•27/08/2012 • Deixe um comentário

Saudações,

Entre os tantos DVDs que estão chegando ao home vídeo e que já estão se empilhando à espera de uma resenha, resolvi abrir espaço para um cult do terror dos anos 1980: Re-Animator, que ganhou edição nacional em DVD em 2010 pela Cult Classic. Para quem é dos tempos do terror em VHS, este é um ótimo exemplar de uma safra de produções de baixo orçamento, mas que renderam muitas horas de diversão aos fãs.

Re-Animator é uma produção de 1985 dirigida por Stuart Gordon, baseada no texto original do escritor H.P. Lovecraft, produzida por Charles Band e Brian Yuzna e estrelada por Jeffrey Combs. Se estes nomes não significam nada para você neste momento, vai aqui uma lição de história do ‘lado B’ do terror no cinema com o currículo dos autores desta pérola do gênero.

Gordon é um especialista do terror B, debutando no gênero com Re-Animator (1985) e seguindo com outro cult, Do Além (1986), também estrelado por Combs. Em seguida, o cineasta lançou Bonecas Macabras (1987), O Poço e o Pêndulo (1991), Castelo Maldito (1995, também com Combs), Dagon (2001, também inspirado em Lovecraft), Tratamento de Choque (2003) e Em Rota de Colisão (2007), além de dois episódios da série Masters of Horror (2005 e 2007) e um de Fear Itself (2008).

Charles Band é ninguém menos que o criador da produtora Full Moon, responsável por trocentos filmes B e trashes do terror dos últimos anos. Band trabalha como produtor, roteirista, diretor e também na trilha sonora, além de atuar. Em seu currículo, há filmes do naipe de Subspecies – A Geração Vamp (que nunca chegou ao DVD no Brasil), grande parte dos trabalhos de Gordon, as séries Puppet Master e Re-Animator, além de diversos eróticos daqueles que passavam no Cine Privé e afins.

Brian Yuzna também começou sua carreira nos tempos de Re-Animator, seu segundo trabalho. Antes de dirigir seu primeiro trabalho, Sociedade de Amigos do Diabo (1989), ele produziu Do Além e Bonecas Macabras ao lado de Charles Band – ambos filmes dirigidos por Stuart Gordon. Têm a direção de Yuzna os cults A Noiva do Re-Animator (1990), A Volta dos Mortos-Vivos 3 (1993), O Dentista (1996), Faust – Pesadelo Eterno (2000) e Re-Animator – Fase Terminal (2003), entre outros.

Já Jeffrey Combs é uma figura carismática e conhecida pelos fãs do terror. Além de protagonizar a trilogia Re-Animator, ele está em dezenas de produções, como O Poço e o Pêndulo, O Monstro Canibal, Necronomicon, Os Espíritos, A Casa da Colina, Abominável, Exorcismo – A Execução, a série The 4400, Sonâmbulos… A lista é longa e interessante.

Howard Phillips Lovecraft, ou H.P. Lovecraft, como é mais conhecido, é um dos mais cultuados autores norte-americanos do underground da ficção e do terror. Suas obras inspiraram nada menos que 107 produções, para os mais diversos formatos e mídias. Como a história de Lovecraft é longa e há muitas fontes a serem consideradas, foco especificamente no texto que deu origem a Re-Animator. Escrito entre 1921 e 1922, Herbert West-Re-Animator seria uma espécie de paródia ao clássico de Mary Shelley, Frankenstein, e foi escrito por H.P. sob encomenda da revista Home Brew, onde o texto foi publicado de forma seriada em seis capítulos/episódios. Os relatos que encontrei indicam que cada parte da trama rendeu US$ 5 a Lovecraft.

Com tanta informação sobre a produção, faltou falar da história do filme. Herbert West (Combs) é um cientista que trabalha como assistente de um grande pesquisador europeu em uma universidade. Eles trabalham em uma fórmula para trazer tecido morto de volta à vida e West está muito perto de conseguir realizar isso.


Depois da estranha morte de seu tutor, Herbert vai para a Universidade de Miskatonic, nos EUA, onde passa a fazer parte da equipe de pesquisa do Dr. Carl Hill, um médico de caráter duvidoso que está atrás de fama e poder. Ao saber da criação de West, passa a assediar o rapaz, que está morando com outro médico da equipe, Dan Cain (Bruce Abbott).


Cain é um residente da universidade e namora Megan (Barbara Crampton), a filha do reitor. Ele aluga um quarto para o recém-chegado, que passa a realizar uma pesquisa paralela sobre o soro no porão da casa. Quando West finalmente chega a uma fórmula que funciona, Hill tenta colocar as mãos no invento e, daí para a frente, uma série de situações bizarras começam a acontecer, terminando em um festival de mortes, ressuscitações e muita violência.

É isso. Já escrevi demais sobre o filme. É melhor ir ver para saber. Mas fica o aviso: Re-Animator é tosco, tem efeitos que hoje são considerados trash e abusa dos corpos despedaçados, portanto, pode ser que não agrade a todos. Eu gosto muito!

Nota 10

Confira o trailer de Re-Animator abaixo:

OBS: No YouTube você pode encontrar o filme completo para ver. Eu não apoio esse tipo de compartilhamento, já que o filme está à venda nas lojas e pode ser visto também nas locadoras, em DVD.

Nas lojas: Autópsia

•27/08/2012 • 2 Comentários

Saudações,

Chegou às lojas no final de julho o filme Autópsia, terror jovem e movimentado estrelado por Jessica Lowndes e dirigido por Adam Gierasch. Jessica é a protagonista Emily, jovem que dirigia por uma estrada com os amigos após uma balada e, depois de sofrer um acidente, vê os colegas caírem nas mãos de um bando de loucos. Mesmo torturada e ferida, ela encontra forças para lutar por sua vida. A bela atriz já é um rosto familiar em recentes produções de terror e pode ser vista nos filmes Altitude (saiba mais aqui) e Jovens Malditos.

Adam Gierasch, que assina o roteiro e a direção de Autópsia, é um dos mais conceituados cineastas da nova geração do terror e tem no currículo filmes como After Dark: A Semente do Mal (que dirige), O Retorno da Maldição – A Mãe das Lágrimas (que escreveu ao lado do mestre Dario Argento), Mortuária e Noites de Terror (ambos escritos por ele para Tobe Hooper dirigir).

Sinônimo de saúde, os hospitais já foram palco de inúmeras produções, tanto para o cinema como para a TV. Os filmes de terror têm certa tendência a usar de forma alternativa esse cenário e transformá-lo no oposto do seu significado. No caso da produção sendo resenhada aqui, um pronto socorro de uma pequena cidade do interior dos EUA é o cenário para um verdadeiro show de horrores a que um grupo de jovens é submetido depois de passarem um pouco do limite durante uma noitada e precisarem de auxílio.

Depois de um acidente de carro na Rota 53 do estado de Luisiana, Emily e seus amigos ficam sem saber o que fazer quando descobrem sob o carro destruído o corpo de um homem que eles nunca viram, mas que está usando uma camisola de hospital. Sozinhos, feridos e perdidos, não recusam a ajuda de uma misteriosa ambulância que surge em busca de um paciente que escapou. O hospital que recebe os cinco amigos é comandado pelo Dr. David Benway (Robert Patrick, de O Exterminador do Futuro 2), que prontamente encaminha cada um dos feridos para tratamento. Todavia, cada um que é atendido encara um destino mais cruel que o outro nas mãos do sádico médico, que faz o que faz para sustentar um segredo guardado nos porões da casa de saúde.


Autópsia chegou às locadoras brasileiras em fevereiro pela Focus Filmes e está agora nas prateleiras das lojas, em DVD e em Blu-ray. Admito que quando vi que o filme ia chegar, no começo do ano, dei uma pesquisada pelo IMDb e vi o trailer no YouTube para saber o que me esperava. Fiquei com o pé atrás de início, mas resolvi assistir ao filme mesmo assim. Acabei curtindo, já que, apesar da trama ser bem tradicional e o desfecho ser óbvio, o filme vai te prendendo com uma variedade de situações bizarras dentro do tal hospital e muita criatividade na hora de executar as já esperadas mortes dos jovens. E o final não decepciona, guardando uma quase surpresa. Em suma, Autópsia vale 90 minutos de entretenimento para os fãs de um bom terrorzinho.

Nota 7 de 10

Ficha Técnica: Autópsia (Autopsy)
Gênero: Terror – Origem: EUA/2008 – Direção: Adam Gierasch – Elenco: Michael Bowen, Robert Patrick, Jessica Lowndes – Duração: 84min – Classificação Indicativa: 16 anos
Apresentações Especiais do Disco: Formato de Tela: Widescreen 1080p; Idiomas: Português (2.0) e Inglês (5.1); Legendas: Português
Distribuição: Focus Filmes, em DVD e Blu-ray
Já nas lojas

Veja o trailer abaixo:

 
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