GPT na Zombie Walk São Paulo 2011

•02/11/2011 • Deixe um comentário

Estive lá, me diverti muito e tirei várias fotos. Vejam todas no link abaixo.

http://www.flickr.com/photos/guiapraticodeterror/sets/72157627915264125/

Até mais!

63. O Ritual da Pedra

•27/10/2011 • Deixe um comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: O Ritual da Pedra

Nome original: Le Concile de Pierre

Ano de produção: 2006

País de produção: França

Direção: Guillaume Nicloux

Roteiro: Guillaume Nicloux e Stéphane Cabel, baseados no romance de Jean-Christophe Grangé

Elenco: Monica Bellucci, Catherine Deneuve, Moritz Bleibtreu, Sami Bouajila, Elsa Zylberstein, Nicolas Thau

Duração: 96min

Distribuidora: Imagem Filmes

 

Resenha:

Tive a oportunidade de ver O Ritual da Pedra na época em que ele foi lançado no varejo pela Imagem Filmes, creio que em 2008. Não se trata de um filme de terror, mas de suspense bastante denso, cuja trama demora para se desenvolver e tem muitos sustos e momentos de bastante tensão – por isso decidi coloca-lo no blog. Trata-se de uma coprodução entre Alemanha, França e Itália bastante caprichada e com elenco competente encabeçado por Monica Bellucci. O roteiro foi escrito com base no livro de Jean-Christophe Grangé, autor de outras duas obras já adaptadas para o cinema e que podem ser vistas em DVD no Brasil: Império dos Lobos e Rios Vermelhos, ambos protagonizados por Jean Reno. Grangé também é roteirista e escreveu o texto para a adaptação de Vidocq, personagem famoso francês, para um longa-metragem.

 

Atenção, o texto abaixo contém spoilers!

 

Curiosamente, O Ritual da Pedra não possui diálogos (sonoros) em seus três primeiros minutos, portanto, não estranhe se você colocar o DVD e não ouvir nada além da música incidental. As cenas, contudo, mostram momentos que são importantes para entendermos as circunstâncias em que o filme começa. Um casal é morto por dois atiradores quando tenta escapar de um lugar que parece isolado. Enquanto assiste ao marido ser jogado em poço, a mulher, agonizante, observa a imagem de um bebê. Algum tempo depois, em um orfanato na Rússia, Laura (Monica Bellucci), uma tradutora que vive na França, vai buscar uma criança de poucos meses de idade que apareceu na porta do local, sem registro algum além de um medalhão com um nome Liu-San, com que foi batizado. Laura adota o menino e o leva para viver na França.

Sete anos depois, Laura e Liu-san levam uma vida tranquila até que os dois passam a ter pesadelos terríveis e constantes. O fato estranho é que os dois têm o mesmo sonho, ao mesmo tempo, e acordam no meio da noite. Liu-san desenvolve uma pequena marca em seu peito e Laura leva o garoto ao médico para uma avaliação. O doutor diz que não é nada e libera os dois com a única recomendação de que eles o procurem caso a marca não suma. O que mãe e filho não sabem é que o medico faz uma ligação misteriosa logo depois que os dois saem do consultório.

Laura recebe um serviço em que precisa viajar por alguns dias e resolve deixar seu filho com uma amiga, Sybille (Catherine Deneuve), que foi quem cuidou de Laura quando ela era menina e vivia em uma instituição. Só que Liu-san não gosta da senhora e se esconde no carro de sua mãe. Já na estrada de volta da casa de Sybille, Laura descobre que o menino está no carro. Do nada, um pássaro se choca com o para-brisa do veículo e Laura perde o controle do carro, que sai da rodovia e capota várias vezes. A mulher sai praticamente ilesa, mas o menino entra em coma. E enquanto ele está inconsciente, continua a ter pesadelos (assim como sua mãe) e durante esse estado fica falando em um idioma estranho, parecido com o mongol. Ingrigada, Laura decide investigar o idioma e descobre que Liu-san nasceu na Mongólia e tem sua origem ligada a um povo místico que espera o garoto chegar à idade ideal para que eles possam realizar o “conselho da pedra”, um ritual antigo. Cabe a Laura salvar seu filho e conseguir evitar que ele seja sacrificado.

Eu praticamente contei a história inteira do filme, omitindo algumas passagens interessantes e surpresas para o espectador. Estes elementos, somados ao clima escuro e a passada lenta do filme fazem dele uma boa opção para quem gosta de cinema europeu e da bela Monica Bellucci, um pouco diferente do que estamos acostumados a ver.

 

Nota: 6,5

62. A Volta dos Mortos-Vivos 3

•27/10/2011 • Deixe um comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: A Volta dos Mortos-Vivos 3

Nome original: Return of the Living Dead 3

Ano de produção: 1993

País de produção: EUA

Direção: Brian Yuzna

Roteiro: John Penney

Elenco: Mindy Clarke, J. Trevor Edmond, Kent McCord, James T. Callahan, Sarah Douglas

Duração: 93min

Distribuidora: Cannes Home Vídeo (VHS)

Resenha:

Confesso que havia planejado outras resenhas para esta atualização, mas quando vi que A Volta dos Mortos-Vivos 3 estava disponível na Netflix, não deu para resistir. Vi o filme novamente ontem à noite e hoje resolvi escrever sobre ele. Esta produção dirigida por Brian Yuzna, um mestre dos filmes B bastante melequentos, nunca chegou ao DVD no Brasil. Por isso, acredito que os mais novinhos não tenham visto esta pérola ainda, já que anda fora da programação dos canais de TV há bastante tempo.

A Volta dos Mortos-Vivos 3 segue a trama iniciada no primeiro filme desta nova franquia, que começou em 1985 com o filme de Dan O’Bannon. Militares estão trabalhando no desenvolvimento de armas biológicas para o governo e estão fazendo uso de um gás tóxico que estava armazenado secretamente desde um incidente que causou muitas mortes em uma pequena cidade anos atrás (lembra?). Atenção para o fato de que os barris em que o gás é armazenado contêm ainda os corpos dos zumbis.

O chefe da operação é o Coronel John Reynolds, que não gosta muito da ideia de mecanizar os zumbis e usá-los como arma. Todavia, isso pouco importa para o Pentágono, que manda a Coronel Sinclair para o local assumir o comando e dar continuidade aos experimentos o quanto antes. Ao mesmo tempo, Curt Reynolds, filho do militar, e sua namorada Julie estão planejando largar tudo para viverem juntos, algo que o pai do rapaz não aprovaria. Curiosos, eles roubam o cartão de acesso de Reynolds e entram na instalação militar em que os experimentos estão acontecendo. Eles testemunham o momento em que os cientistas usam o tal gás para trazer um defunto de volta à vida. Assustados, eles fogem da base e sofrem um acidente de moto na estrada. Curt fica levemente ferido, mas Julie acaba morta. Desesperado, Curt decide levar sua garota de volta para a base e usar nela o gás. Ele faz isso com sucesso e Julie desperta da morte. Obviamente, isso terá consequências um tanto violentas para muita gente, já que eles partem em fuga da base novamente e vão parar em um mercadinho no centro da cidade, onde arrumam encrenca com uma gangue de latinos que estava por lá.

A Volta dos Mortos-Vivos 3 é um filme divertido, para não ser levado à sério pelos fãs da mitologia de zumbis criada por Romero. A produção mantém o ritmo de humor negro que os dois filmes anteriores tinham e adiciona à mistura o toque particular de Yuzna, que desde o início de sua carreira mostra a capacidade de criar seres bizarros, deformados e gosmentos.

O resultado aqui é muito interessante, pois o diretor e sua equipe conseguem dar vida a criaturas muito bizarras em cenas toscas, mas bem feitas. O destaque do filme é ver de camarote uma garota muito bonita (Melinda “Mindy” Clarke, do seriado The OC) ir lentamente se transformando em uma morta-viva sádica, masoquista e incrivelmente faminta. Impagável o momento em que ela come o cérebro do coitado do comerciante oriental e solta a clássica frase “Miolos!”. Em suma, vale a pena ver (ou rever) este clássico dos filmes Z (B é demais para ele). Diversão garantida.

Veja mais imagens abaixo da nota.

Nota: 7

61. Trauma de Dario Argento

•24/10/2011 • Deixe um comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: Trauma de Dario Argento

Nome original: Dario Argento’s Trauma

Ano de produção: 1993

País de produção: EUA

Direção: Dario Argento

Roteiro: Dario Argento e TED Klein, baseados na história escrita por Dario Argento, Giovanni Romoli e Franco Ferrini

Elenco: Christopher Rydell, Asia Argento, Piper Laurie, Frederic Forrest, James Russo, Brad Douriff

Duração: 104min

Distribuidora: Video Arte (VHS), inédito em DVD no Brasil

 

Resenha:

Enquanto passa de carro sobre uma ponte, David Parsons (Christopher Rydell) vê algo diferente na beira da rua, no parapeito – uma garota. Ele para o carro e corre para tentar evitar que a moça caia. Na verdade, ela parece perdida, sob o efeito de remédios ou drogas e mal entende o que David diz. Ela é Aura Petrescu (Asia Argento), uma garota que parece ter um histórico de problemas. Ao menos é o que apontam a situação em que ela se encontra e as marcas em seus braços. David consegue tirar Aura da beira da ponte e a leva para comer alguma coisa e conversar. Ela revela que fugiu de uma instituição, mas que não tem nada a ver com drogas. No restaurante, fica claro qual o problema dela – é anoréxica. Na saída do banheiro, Aura é levada por oficiais da vara da criança de volta para a casa de sua família.

A mãe de Aura, Adriana (Piper Laurie) trabalha como vidente e paranormal em casa e na mesma noite em que a jovem é trazida de volta, acontece uma sessão de comunicação com os mortos. Durante o evento, as coisas esquentam e o grupo é atacado por uma figura misteriosa, que persegue os pais de Aura pelo jardim e os mata brutalmente, degolados. A garota vê o maníaco fugir com as cabeças de seus pais nas mãos. No dia seguinte, David está trabalhando e recebe um telefonema de Aura. Eles se encontram, David fica sabendo o que houve pela TV e liga os pontos. Intrigado, resolve ajudar Aura a entender o que aconteceu e os dois começam a investigar, levando a uma série de descobertas e perigos que ameaçam a vida dos dois.

Trauma é o primeiro filme de Dario Argento a ser realizado nos EUA e com a colaboração de um roteirista local. A produção não foi bem nos cinemas e não chegou a ser sequer lançada em DVD no Brasil. Trata-se de um filme de terror e suspense bem interessante, mas que deixa de lado um pouco da estética de Argento para se adequar ao público norte-americano, supostamente. A influência dos produtores ianques foi tão grande que a ideia de se usar a banda Goblin para compor e executar a trilha sonora foi rapidamente descartada. Não que Pino Donaggio não tenha feito um trabalho digo, ao contrário. Só que a banda é parceira do cineasta há décadas e sabemos que a presença deles nos filmes de Argento sempre favorece. Enfim, já foi, o filme está feito nada há de ser feito para mudar.

Apesar da negatividade em torno desse lançamento, durante seu discurso recente no Festival do Rio, Dario Argento mencionou como foi especial este filme para ele e ressaltou o fato de ter de filmar sua filha, Asia, nua pela primeira vez. Depois de Trauma, Dario e Asia realizaram mais trabalhos juntos – Síndrome Mortal, Um Vulto na Escuridão e A Mãe das Lágrimas –, todos bastante dignos, com destaque, em minha opinião, para Síndrome Mortal e A Mãe das Lágrimas, ambos bem violentos e estilizados.

Confira abaixo o vídeo:

Independentemente de o que dizem os críticos daquela época e a recepção que o filme teve em seu lançamento, Trauma de Dario Argento é um bom filme, que merece uma conferida. Não é referência para quem não conhece a obra do cineasta, mas se destaca dentro do gênero como um bom exemplar de terror e suspense com certa dose de violência.

 

 

Nota: 7,5

60. Dylan Dog e as Criaturas da Noite

•24/10/2011 • Deixe um comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: Dylan Dog e as Criaturas da Noite

Nome original: Dylan Dog: Dead of Night

Ano de produção: 2010

País de produção: EUA

Direção: Kevin Munroe

Roteiro: Thomas Dean Donnelly e Joshua Oppenheimer, baseados nos quadrinhos de Tiziano Sclavi

Elenco: Brandon Routh, Anita Briem, Sam Huntington, Peter Stormare, Taye Diggs

Duração: 107min

Distribuidora: PlayArte

 

Resenha:

Seguindo a mesma linha do recente Padre (veja postagens anteriores), Dylan Dog e as Criaturas da Noite segue mais para a vertente da ação com pitadas de comédia de humor negro do que para o lado do terror, apesar das tais Criaturas da Noite serem típicas do gênero mais assustador. O filme é uma adaptação de um personagem das HQs criado pelo italiano Tiziano Sclavi em 1986 e publicado no Brasil por quatro editoras diferentes. Os quadrinhos são totalmente focados no horror e têm atmosfera bem diferente do filme, apesar de a versão cinematográfica ser legal. Uma curiosidade é que Sclavi é o autor da Graphic Novel que deu origem a um clássico moderno do terror – Pelo Amor e Pela Morte, de Michelle Soavi (Dellamore, Dallamorte, no original). Este eu tinha em VHS, mas perdi. Certamente farei uma resenha póstuma em homenagem à minha fita perdida.

Voltando ao assunto, confesso que quando vi os créditos do DVD e notei que o protagonista seria Brandon Routh, o cara que fez a nova (já antiga) versão do Superman, e que a direção era de um cara que tinha apenas uma adaptação de As Tartarugas Ninjas no currículo, fiquei receoso. Talvez seja por isso que acabei gostando do filme, pois o vi sem pretensão alguma, apenas para me divertir. Dylan Dog é um detetive particular que no passado era um dos poucos a conhecer de verdade o mundo em que vivemos. Anos atrás, Dylan era encarregado de vigiar a conduta dos seres sobrenaturais no convívio com os humanos, fazendo função de policial e conhecendo os segredos dos famosos monstros que normalmente habitam apenas os filmes. Quando algo dá errado e a noiva de Dylan é morta, uma guerra acontece e Dylan se afasta desse trabalho. Nos dias de hoje, o detetive vive às custas da infidelidade alheia, contratado por cônjuges traídos em busca da certeza de que foram de fato enganados.

A calmaria de Dylan vai para o brejo quando um assassinato acontece e o autor é um dos sobrenaturais. O detetive é procurado pela filha do morto, Elizabeth, para que ele a ajude a desvendar o crime e essa é a pontinha de um novelo que se mostra mais enrolado do que Dylan esperava. A grande crise do mundo dos monstros é o duelo eterno entre os vampiros e os lobisomens, que convivem mas não se bicam, como de praxe em outras histórias. O que acontece é que o homem que foi assassinado era um mercador clandestino de relíquias e a jovem acaba se tornando alvo de quem quer que seja que matou seu pai, já que ela tem em mãos o artefato que motivou o crime. Agora, em vez de apenas ajudar a solucionar o mistério, Dylan terá que proteger a beldade.

No conflito, Marcus, assistente de Dylan, é morto e se transforma em um zumbi. E, ao contrário do que ele imagina (e nós também por tabela), há um mundo inteiro de zumbis convivendo com os humanos. A parte cômica dessa história é que os zumbis são forçados a usar o mercado negro de partes de corpos para se manterem “vivos” e inteiros. Muito bizarro.

Seguindo a trama, Dylan, Marcus e Elizabeth acabam se metendo em uma intriga que certamente poderia mudar os rumos da humanidade, para pior, já que a relíquia em poder da garota é a chave para a libertação de um poder descomunal, que fará de quem o possuir o ser mais forte do mundo. Como não podia deixar de ser, Dylan e seus amigos terão que evitar que isso aconteça. Sinceramente, eu gostei do filme. Pode ver e se divertir.

 

Nota: 8

 

59. O Dom da Premonição

•24/10/2011 • Deixe um comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: O Dom da Premonição

Nome original: The Gift

Ano de produção: 2000

País de produção: EUA

Direção: Sam Raimi

Roteiro: Billy Bob Thornton e Tom Epperson

Elenco: Cate Blanchett, Katie Holmes, Keanu Reeves, Greg Kinnear, J.K. Simmons, Hilary Swank, Giovani Ribisi

Duração: 112min

Distribuidora: Europa Filmes

 

Resenha:

O Dom da Premonição foi o primeiro filme que comprei em DVD. Lembro-me que vi o filme no cinema, depois aluguei e gostei tanto que quando comprei o meu primeiro player de DVD, comprei junto alguns filmes e este estava na lista. Não é propriamente um filme de terror, mas transita pelo gênero e é muito melhor que muitas produções parecidas que são batizadas como sendo de terror. Além disso, é um filme de Sam Raimi, o que já vale o ingresso (ou a compra, ao menos para mim). Tirando a trilogia do personagem Homem-Aranha, que honestamente não gostei muito, Raimi tem uma filmografia interessante quando ele caminha pelo terror. Vejam por exemplo The Evil Dead – A Morte do Demônio e suas duas derivações, Darkman – Vingança Sem Rosto, O Dom da Premonição e Arraste-me Para o Inferno. Convenci?

Além de uma história bem amarrada, O Dom da Premonição consegue reunir um elenco de estrelas como Cate Blanchett, Keanu Reeves, entre outros, em um projeto que não tem o glamour nem o orçamento que normalmente suportariam tal investimento. Fato é que essa reunião de talentos dá um ótimo resultado nas mãos de Raimi, mesmo com pequenas participações da maior parte deles, como Keanu Reeves, Giovani Ribisi, Hilary Swank e Katie Holmes, que aparecem pouco, mas são fundamentais para o desenrolar da história. Os protagonistas são Cate Blanchett e Greg Kinnear e eles estão muito bem. Na pesquisa que fiz antes de escrever essa resenha, li críticas que elogiavam a atuação de Blanchett, citando sua personagem como uma das melhores da carreira da atriz.

O roteiro, escrito por Billy Bob Thornton (sim, o ator), trata de alguns temas delicados como a violência doméstica, a pedofilia, o preconceito – na forma do machismo e das diferenças sociais – e a fina linha entre a sanidade e o sobrenatural. Tudo isso retratado no pequeno universo da vida de uma viúva, Annie Wilson (Blanchett), que luta para sustentar seus três filhos pequenos trabalhando como vidente em uma cidade no interior dos EUA. Ela possui o dom (do título) de ver o futuro e ela faz isso para o público usando cartas. Obviamente, essa não é a única porta que ela usa para ver o futuro. Sem que ela possa controlar, visões a atormentam praticamente em qualquer lugar, basta uma pequena ação aleatória ao seu redor para desencadear um momento breve de terror.

Ao mesmo tempo em que Annie começa a se interessar pelo diretor da escola de seus filhos, Wayne Collins (Kinnear), ela descobre que ele está noivo da bela Jessica King (Holmes) e acaba se afastando. Annie é amiga do problemático Buddy (Ribisi), um jovem faz-tudo que é atormentado por seu passado e que parece ser uma bomba que pode explodir a qualquer momento. A relação dos dois acaba sendo importante para os dois, já que o rapaz ajuda Annie com os problemas com o carro e com a casa, enquanto ela é sua única amiga e confidente.

Algum tempo depois de um pequeno conflito entre Wayne, Annie e Jessica, a moça desaparece e Donnie Barksdale (Reeves), um homem com passado de violência e abuso de sua esposa (Swank), é o principal suspeito pelo possível crime. Sem pistas, a polícia e Wayne recorrem ao dom de Annie, que reluta mas acaba concordando em ajudar, mesmo com a descrença sobre seus métodos. A verdade é que Annie já vinha tendo visões sobre a moça sumida, mas ainda não havia conseguido juntar as peças até o momento. Todavia, quando ela finalmente entende o que está acontecendo, pode ser que ela tenha ajudado a polícia a condenar um homem inocente.

Momentos de tensão, sustos, pesadelos, movimentos e enquadramentos de câmera diferentes. Nada disso é novidade no cinema de Raimi e é o que aguarda o espectador que resolver assistir a O Dom da Premonição. Eu gostei e recomendo.

 

Nota: 8

 

58. Altitude

•24/10/2011 • Deixe um comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: Altitude

Nome original: Altitude

Ano de produção: 2010

País de produção: Canadá e EUA

Direção: Kaare Andrews

Roteiro: Paul A. Birkett

Elenco: Jessica Lowndes, Julianna Guill, Ryan Donowho, Landon Liboiron, Jake Weary

Duração: 90min

Distribuidora: Flashstar

 

Resenha:

Uma boa surpresa. É assim que defino Altitude, uma produção de história simples e visual interessante, valorizado pelo lugar incomum em que se passa – um jatinho em pleno voo. A direção é de Kaare Andrews, um novato em longas-metragens, cujo trunfo nesta produção é seu conhecimento como desenhista e roteirista de histórias em quadrinhos, e isso fica evidente no filme. Andrews já trabalho em HQs de personagens como Homem-Aranha e X-Men, entre outros e já ganhou prêmios nesse campo. Como não poderia deixar de ser, ele faz diversas referências ao mundo dos quadrinhos, tanto como elemento da trama como no enquadramento de sua câmera. O roteiro é de Paul A. Birkett, já experiente no mundo dos filmes B canadenses e norte-americanos. Birkett já trabalhou em várias produções de baixo orçamento e em no currículo parcerias com Jim Wynorsky, Jeffrey Scott Lando, Rick Schroeder, Steven R. Monroe, entre outros famigerados cineastas do submundo das produções de ficção científica, terror e ação. A soma desses fatores, aliada ao elenco jovem e não tão experiente gera um exemplar interessante que vale uma sessão da tarde.

Falando sobre Altitude, a trama é centrada na viagem que alguns amigos farão como despedida, já que eles estão partindo para a faculdade e raramente se verão tão cedo. Sara e seus amigos vão ver uma apresentação de uma banda e esse evento marcará o momento em que todos partirão para uma nova fase da vida de cada um – a ida para a universidade. Para economizar tempo e passarem mais tempo juntos, eles aproveitam que Sara acabou de tirar seu brevê e já pode pilotar voos não-comerciais e alugam um jatinho para que ela os leve para lá. Já no ar, o grupo começa a mostrar suas diferenças e certa insegurança no fato de uma novata está pilotando. E essa sensação se prova ser o diferencial ao longo da viagem, que não será nada fácil.

O grupo é formado por Sara, Bruce, o casal Sal e Mel, e Cori. Como qualquer filme que mantenha o clichê de um tradicional “high school”, cada um dos personagens tem uma peculiaridade relativa à escola. Sara é a garota bonita, inteligente, com passado problemático e que tem simpatia pelo esquisitão Bruce, que é assediado moralmente por Sal, o atleta fortão e com senso de humor meio distorcido da turma. Sara tem um tipo de namoro com Bruce, mas vai deixa-lo para trás ao ir para a faculdade. Bruce não lida muito bem com isso e demonstra ser um tipo meio introspectivo e infantil. Sal é o estereótipo do idiota que consegue as garotas e namora Mel, uma menina mais sensível e que flerta com Cori, o músico-padrão, que tem humor sarcástico e o tempo todo joga com o casal. Feita a apresentação da tripulação, a viagem começa.

O voo começa e tudo vai bem. A jornada, apesar de tortuosa por conta dos ânimos do pessoal, segue dentro do esperado para um jatinho voando pelo interior do Canadá, com seus altos e baixos no tempo. Só que quando o avião atinge certa altitude (opa!), sofre uma pane e os controles ficam avariados, fazendo com que Sara não consiga descer a aeronave. Com o pânico crescendo, o humor dos amigos começa a azedar. Fato é que a situação é inexplicável, pois não há nenhum motivo para que os controles travem. Só que Sara é inexperiente e o contato com qualquer ajuda é difícil, já que o rádio pifou. E as coisas ficam ainda mais difíceis depois que um dos jovens avista algo estranho do lado de fora. Daí para a frente, a história sai do lugar comum e caminha para algumas surpresas interessantes.

Altitude levou dois prêmios no Leo Awards, ambos por aspectos técnicos, em 2010. Esta premiação é voltada para produções artísticas realizadas na Columbia Britânica, no Canadá. Pode não ser grande referência para nós que estamos um pouco mais ao sul, mas já dá referência de que a produção do filme é mais caprichada de que o comum em um filme B. Assisti em Blu-ray, achei interessante e recomendo sim, sem compromisso. Pode ser uma boa diversão.

 

Nota: 7

57. Sobrenatural

•24/10/2011 • Deixe um comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: Sobrenatural

Nome original: Insidious

Ano de produção: 2010

País de produção: EUA

Direção: James Wan

Roteiro: Leigh Whannell

Elenco: Patrick Wilson, Rose Byrne, Ty Simpkins, Lin Shayw, Leigh Whannell, Barbara Hershey, Andrew Astor

Duração: 103min

Distribuidora: PlayArte

 

Resenha:

Quando um filme é produzido com um orçamento de US$ 1,5 milhão, algo considerado baixo para os padrões de Hollywood, e fatura mais de US$ 90 milhões só em bilheterias, pode-se dizer que ele fez sucesso. Mas será que esse sucesso é justificado? Para dizer que sim, vou ilustrar com algumas informações antes de falar sobre a história de Sobrenatural.

A primeira informação é sobre o título do filme. Sobrenatural foi o nome dado pela PlayArte para o lançamento e o nome até que funciona, já que o tema está na moda e eles tiveram bastante sucesso com Atividade Paranormal. O nome original de Sobrenatural é Insidious, cuja tradução seria algo como “traiçoeiro”, justamente do que trata a trama da produção. Se partirmos para o literal, o nome em português seria insidioso, mas então o público em geral ficaria sem saber de que trata a história, a julgar pelo título. Clarificando, insidioso quer dizer algo que é traiçoeiro ou enganador e que pode ser perigoso se ignorado. E sim, eu pesquisei em mais de um dicionário.

A segunda informação é à respeito dos bastidores. James Wan, diretor do filme, e Leigh Whannell, roteirista, já são conhecidos pelos fãs de filmes de terror. A dupla é responsável pelo enorme sucesso Jogos Mortais. Wan ainda dirigiu outros filmes, mas nenhum chegou aos pés de Jogos Mortais, apesar de Sobrenatural ser um ótimo filme. Já Whannell é um roteirista de mão cheia e também gosta de atuar. Ele pode ser visto tanto em Sobrenatural como em Jogos Mortais, apesar dos papeis serem pequenos. Uma curiosidade que vi no IMDb enquanto pesquisava para essa resenha: enquanto escrevia o roteiro de Sobrenatural, Whannell tinha uma lista de clichês comuns em filmes de terror e a usava para evitar que seu texto exagerasse neles. O ato deu resultado, pois o filme caminha paralelamente aos clichês e consegue ser original, apesar de a trama não guardar muitos segredos depois de seu clímax.

Seguindo para a trama de Sobrenatural, o filme trata de um dom que acaba se tornando uma maldição e envolve espíritos e demônios. A história é centrada na família Lambert, que se muda para uma casa maior já que recentemente o clã aumentou. Josh (Patrick Wilson) e Renai (Rose Byrne) são casados e têm três filhos – os garotos Dalton e Foster, e a pequena Cali. Josh é professor e pode ser considerado um cara cético quando o tema é religiosidade e superstição, o contrário de sua esposa. Quando Dalton sofre uma queda misteriosa e entra em coma, as coisas começam a mudar e a harmonia da família vai para o espaço, já que os médicos não conseguem encontrar nada de errado fisiologicamente com o menino. Alguns meses se passam, Dalton continua vegetando e parece que algo o está perseguindo, pois eventos misteriosos e assustadores começam a ocorrer. Com isso, Renai passa a desconfiar que a casa é assombrada. Depois de muito falar, ela consegue convencer Josh e os Lambert decidem se mudar.

Já morando em outra casa, Renai continua a ver os mesmos fantasmas (por assim dizer). Josh desconfia que sua mulher está abalada por conta da situação do filho e não acredita nela. Só que a visita da mãe de Josh, Lorraine (Barbara Hershey) muda tudo, pois ela comenta que tem uma amiga, Elise, que é médium e que ela pode ajudar. Renai não hesita em pedir ajuda a Elise, que vem fazer uma visita e avisa que Dalton corre perigo. Elise conta que Dalton tem a habilidade de viajar fora de seu corpo e que numa dessas saídas ele fez contato com uma entidade maligna. Portanto, não é a casa que está assombrada, mas o menino. E essa revelação abre uma porta que há muito tempo estava fechada para Lorraine, que guarda um segredo sobre o passado de Josh que nem mesmo ele se recordava.

Espero não ter revelado demais sobre o filme, já que ele tem algumas viradas de roteiro que são bem interessantes e fica difícil fazer uma sinopse sem dar muitos detalhes. Para concluir, o filme é escuro, tem cenas de arrepiar mesmo, com vários sustos e um final surpreendente. Não deixe de ver!

 

Nota: 9

 

56. Terror na Ópera

•21/10/2011 • Deixe um comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: Terror na Ópera

Nome original: Terror at the Opera / Opera

Ano de produção: 1987

País de produção: Itália

Direção: Dario Argento

Roteiro: Dario Argento, baseado em uma história de Dario Argento e Franco Ferrini

Elenco: Cristina Marsillach, Ian Charleson, Urbano Barberini, Daria Nicolodi, Coralina Cataldi-Tassoni, William MacNamara

Duração: 107min

Distribuidora: Globo Vídeo (em VHS), inédito em DVD no Brasil

 

Resenha:

Eu estava reorganizando a lista de filmes do projeto 365 Dias de Terror e me preparando para retomar as postagens após praticamente um mês sem ter tempo de escrever nada para o blog quando me deparei com uma fita de vídeo antiga, que já nem lembrava mais que eu tinha – Terror na Ópera, de Dario Argento. Isso foi o ponto de partida para que eu me lembrasse da história daquele VHS e da primeira vez que eu vi esse filme, quando eu devia ter perto dos 12 anos de idade (eu já era fanático por filmes de terror nessa época). O interessante disso tudo é que Terror na Ópera é um dos melhores filmes de Dario Argento e incrivelmente nunca despertou interesse em distribuidora alguma para chegar em DVD ao Brasil. Fica aí a dica. Voltando à minha lembrança, eu comprei a fita de uma locadora e foi muito engraçado, pois a loja era uma das mais antigas da cidade em que eu morava e tinha todo o tipo de velharia (no bom sentido). Quando eu vi que eles tinham este filme, aluguei na hora. Na hora em que a dona da locadora foi pegar a fita no estoque, o rolo do filme estava começando a embolorar já. Na hora, eu ofereci a ela R$ 20 para levar o filme. Ela nem hesitou em me vender. Aposto que devia estar no estoque há séculos. Uma pena, pois é infinitamente melhor que muita coisa nova que chega por aí.

Apesar de o nome ser Terror na Ópera, não se trata de um filme 100% deste gênero. Fiz uma rápida pesquisa antes de começar a escrever este texto e vi que tem muita gente que classifica o filme como um Giallo ou um Thriller (suspense/policial). Na verdade, Terror na Ópera pode transitar facilmente em todos eles, já que é uma obra que flerta com todos. Mas cuidado àquele que é mais sensível, pois há cenas bem fortes e tensas, incluindo mortes bastante violentas e mutilações. Para mim (e para muitos), um prato cheio!

Durante a pesquisa que mencionei há pouco, encontrei diversas resenhas recentes sobre Terror na Ópera e muitas delas falavam de aspectos estéticos, recursos simples e eficientes que Argento usou e as muitas possibilidades de reflexão que o filme pode proporcionar. Logo, o que eu poderia falar de novo a respeito desta ótima produção? Nada. Pelo teor do texto até agora, fica óbvio até ao mais distraído que eu recomendo o filme, pois é um dos melhores que já vi. Então, resolvi fazer o simples e dar uma ideia do que o Terror na Ópera representa e fazer uma sinopse para apresentar ao leitor. Depois da sinopse a seguir, há alguns clipes e imagens que coletei na internet. Infelizmente, só há três formas de se conseguir ver o filme: comprar o VHS em um sebo, pegar emprestado com um amigo ou importar. Claro que há os espertos, que podem conseguir de formas menos ortodoxas ou legalizadas. Mas cada um é responsável pelo que faz.

Lições de moral de lado e antes da sinopse, aponto algumas características do filme que alguns que ainda não o viram (e poderão fazê-lo algum dia) podem comparar com filmes mais atuais e achar graça da “tosquice” dos efeitos. Terror na Ópera tem muitos elementos presentes no gênero Giallo e símbolos que já fazem parte da cultura cinematográfica de Dario Argento, como um assassino misterioso relacionado ao passado; assassinatos sendo testemunhados por alguém que não pode fazer nada para escapar ou deixar de ver a cena; a famigerada mão usando luva; uso de facas estilosas, tesouras ou outros objetos cortantes para mutilar; cenas elaboradas demais, com toques de sadismo; e o abuso de câmeras irregulares, simulando o ponto de vista em primeira pessoa em movimento (que nem sempre está envolvida na ação imediata da cena), ou posições diferentes, inusitadas etc.; e a trilha sonora impecável que funciona como parte da trama ou do cenário, dada a força da presença dela.

Terror na Ópera começa com cara de O Fantasma da Ópera. Um cineasta está preparando uma montagem mais pop de um clássico de Verdi, a ópera Macbeth, para a TV. Quando a estrela do espetáculo sofre um acidente de carro, Betty, uma jovem cantora, é chamada para substituí-la. A primeira reação dela é ter medo, pois o papel é amaldiçoado e sua mãe teve problemas ao interpretar o personagem no passado. Todavia, mesmo com toda sua insegurança, ela acaba sendo convencida pelos produtores e pelo diretor a aceitar o papel. Depois que ela começa os ensaios como protagonista, uma série de mortes brutais começa a acontecer nos bastidores e Betty passa a ser perseguida pelo maníaco. Quando mais perto da estreia, mais perto da moça o assassino chega. O auge da trama é quando Betty e seu perseguidor se encontram e ela finalmente descobre o motivo de todo o caos.

É isso. Abaixo, separei três vídeos – dois trailers e uma faixa da trilha sonora original, regravada pelo autor recentemente. Também há imagens bacanas do filme para ilustrar. A última informação é que Dario Argento foi homenageado com uma pequena mostra de seu trabalho no Festival do Rio de 2011. Assistam ao filme e depois deixem aqui suas impressões. Imperdível!

Trailer 1:

Trailer 2:
http://www.youtube.com/watch?v=cHGVosqKbVc

Trilha Sonora:
http://www.youtube.com/watch?v=wK_f3k65tiA

Imagens adicionais:

Nota: 10

Entrevista: Jamie Russell

•18/10/2011 • Deixe um comentário

Enquanto espero uma oportunidade para publicar a versão resumida dessa entrevista, adianto para os leitores do blog e quem acompanha o meu Facebook o material na íntegra de uma entrevista que fiz ano passado com Jamie Russell, escritor britânico, autor de Zumbis – O Livro dos Mortos, publicado pela editora Barba Negra (selo da LeYa Brasil).

Os zumbis são personagens que já são parte da cultura do terror em todo o mundo e são produzidos dezenas de novos filmes  anualmente sobre este nicho. Russell fez uma enorme pesquisa a respeito do tema e compilou tudo o que ele encontrou na forma de um livro, que inclui um guia bastante completo de filmes. A edição brasileira ainda ganhou um adendo – uma lista de produções sobre zumbis que já foram lançadas no país.

Sem mais delongas, leia a seguir a entrevista completa.

André Cavallini – O Livro dos Mortos está sendo lançado no Brasil e, por aqui, muita gente venera a chamada “Cultura Zumbi”. Como nasceu a ideia de escrever um livro dedicado a este universo?
Jamie Russell – Comecei a escrever anos atrás, perto de 2001, e o material foi publicado nos EUA e no Reino Unido em 2005. Quando comecei o livro, ninguém nesses países se importavam muito com os zumbis. O lançamento aconteceu antes da nova febre do tema, que veio com a chegada de Resident Evil – O Hóspede Maldito e Extermínio, filmes que estouraram mundo afora.

AC – E qual foi a resposta do público para o seu livro naquela época?
Russell – Honestamente, pensei que ninguém leria o meu livro, além de algumas pessoas. Mas as cópias foram sendo vendidas e com a renovação dessa “Cultura Zumbi”, o livro ficou bastante popular, tanto que está chegando ao Brasil.

AC – O que você acha da edição brasileira de O Livro dos Mortos?
Russell – Penso que os editores da Editora Barba Negra fizeram um trabalho maravilhoso para este lançamento. A edição brasileira tem um visual incrível, muito bonito – se é que podemos chamar imagens e fotos de pessoas mortas algo bonito! Espero que o público brasileiro goste do livro.

 AC – Qual foi o ponto principal da sua pesquisa para o livro? Qual a maior dificuldade que você enfrentou?
Russell – Acredito que assistir a tantos filmes foi o mais complicado. Imagine como foi difícil encontrar tantos títulos diferentes em DVD dez anos atrás. Hoje, grande parte foi restaurado e lançados novamente. No começo, eu vi a maioria em VHS. Levei um tempo danado para isso. E também foi complicado escrever, pois muitos dos filmes de zumbis são muito, muito ruins! Trata-se de um subgênero do terror que muitos iniciantes no cinema, com orçamento parco e pouca habilidade, escolhem como ponto de partida. Mesmo adorando filmes de zumbis, essa parte foi a mais chata.

AC – Você pensava que seu livro fosse fazer tanto sucesso e chegar a vários países?
Russell – Não! Eu sinceramente achava que meu livro fosse ser lido por umas 300 pessoas. Quando planejamos a publicação dele, meu editor me disse que seria uma boa começar com mil cópias. Hoje, já vendemos mais de 20 mil apenas entre EUA e Reino Unido. Foi um pouco de sorte também, pois quando eu havia acabado de escrevê-lo havia uma nova leva de fãs de zumbis nascendo – justamente na época em que George Romero estava lançando Terra dos Mortos nos cinemas. E nos anos seguintes, a “Cultura Zumbi” cresceu muito e rapidamente, com jogos, livros, quadrinhos e muitos e muitos filmes. Sendo eu um desses adoradores dessa cultura, escrevi o livro realmente como um fã, com aquilo que eu gostaria realmente de ler em um livro sobre o assunto. Nunca pensei que um dia fosse ser entrevistado por uma revista brasileira!

AC – Quais são seus filmes e diretores favoritos?
Russell – Essa é uma pergunta difícil! Eu simplesmente adoro qualquer coisa feita pelo George Romero, ele é o rei dos filmes de zumbis. Também gosto de As Uvas da Morte, Zumbi 3, Zombie – A Volta dos Mortos-vivos, The Video Dead, Noites de Terror e O Galeão Maldito e suas sequências. Mais recentemente, gostei muito do lançamento dos quadrinhos de The Walking Dead, que se tornou série de TV, de Zumbilândia – em especial a participação incrível do Bill Murray – e do espanhol REC.

AC – Como você acha que a “Cultura Zumbi” evoluiu desde o primeiro filme do subgênero até a presente avalanche produtos com o tema?
Russell – Vejo uma evolução em várias maneiras. O que eu amo sobre os zumbis é que eles ficam diferentes a cada nova Era. Nos anos 1930, os filmes norte-americanos sobre zumbis tinham a ver com etnia e religião; nos anos 1970, criticavam o consumismo; na década de 1980, eram dedicados ao terror relacionado ao corpo humano. O que é interessante é que nos últimos 10 anos tivemos mais filmes produzidos do que nos 80 anos anteriores juntos.

AC – Por que as pessoas são fãs dos mortos-vivos?
Russell – Acredito que seja porque estamos em uma época em que o zumbi parece ser o monstro perfeito. Por um lado, a sociedade nos faz sentir como se fôssemos insignificantes, mortos mesmo. Somos tratados como escravos pelos bancos, como idiotas pela mídia, em geral, e o governo não nos dá ouvidos. Por outro lado, vivemos em tempos de globalização e comunicação instantânea, e isso nos faz sentir como se fôssemos parte de uma massa enorme de corpos desligados uns dos outros. Também há o aspecto da religiosidade envolvido – seguir uma religião ou ser ateu. Nos EUA, há um grande crescimento no ateísmo e o zumbi é uma figura interessante para retratar uma visão menos poética da vida após a morte. Penso que acima de tudo isso também há uma parte de nós hoje que se sente lutando contra mortos vivos diariamente quando superamos as dificuldades de sobreviver, de uma forma figurada. Pode ser uma válvula de escape representar nossos sentimentos reais nas histórias de zumbis.

AC – Qual a importância das vídeolocadoras na divulgação e na disseminação da cultura cinematográfica, de modo geral, nos dias de hoje? Você considera ela tão importante quanto o cinema, culturalmente?
Russell – Esta é uma pergunta interessante. Hoje, ao menos no Reino Unido, as locadoras de filmes estão desaparecendo. Parece que grande parte do consumidor desse tipo de produto está locando filmes por meio da internet e pelo correio. E isso é estranho para mim, que cresci na Inglaterra durante os anos 1970 e 80, quando as primeiras vídeolocadoras surgiram. E foi nessas lojas onde me apaixonei pelos filmes de terror, com aquelas capas maravilhosas das fitas. Meus pais não me deixavam alugar filmes como A Morte do Demônio, mas quando eles já não podiam mais me impedir, fui atrás de todos os filmes que não pude ver quando garoto. As salas de cinema da região em que cresci eram muito parecidas com as chamadas Grindhouses dos EUA, pequenos e escuros, mas que exibiam muita coisa boa. Acredito que toda essa “facilidade” que as pessoas têm de encontrar entretenimento, apesar de ser bastante útil para muita coisa, atrapalha um pouco, tirando aquela emoção da descoberta de um novo filme. Antigamente, ver um filme era praticamente uma aventura. Hoje, com dois cliques você compra algo no Amazon ou aluga no Netflix.

AC – Com produções em 3D e Imax nos cinemas e o Blu-ray em casa, você acredita que seremos capazes de sentir hoje a mesma emoção que sentíamos antigamente ao ver um filme de zumbis? Essa evolução é positiva ou negativa?
Russell – Não creio que vejamos um filme de zumbis em Imax. São monstros de baixo orçamento, nada que um grande estúdio queira colocar em Imax. Todo esse progresso é claramente positivo. Muitos dos filmes que estão chegando em Blu-ray eu tive que garimpar nas lojas e nos sebos antigamente. Fora que a qualidade de imagem é ótima, bem distante daquela imagem granulada e suja das velhas fitas VHS. Apesar de eu pensar que aquela emoção, como disse antes, se perdeu, qualquer evolução positiva é bem-vinda! Acho que estou parecendo velho, apesar de ter 30 e poucos anos ainda. Vou parar de reclamar! Adoro a ideia de poder acessar a um site na internet e encontrar informações e vídeos de filmes que pareciam ter se perdido no tempo. Como fã e historiador de cinema, adoro o YouTube e o IMDb.com, eles são verdadeiras revoluções!

Curtiu o livro, compre ele aqui!

 

55. Atividade Paranormal

•30/09/2011 • Deixe um comentário

Lançado pela PlayArte em DVD e em Blu-rayFicha Técnica

Nome nacional: Atividade Paranormal

Nome original: Paranormal Activity

Ano de produção: 2007

País de produção: EUA

Direção: Oren Peli

Roteiro: Oren Peli

Elenco: Katie Featherston, Micah Sloat, Mark Frederichs

Duração: 99min

Distribuidora: PlayArte

Resenha:

Antes de falar sobre o filme propriamente dito, duas informações interessantes. A primeira delas é que a produção custou parcos US$ 15 mil, uma ninharia perto do padrão hollywoodiano de se fazer filmes, e faturou mais de US$ 193 milhões nos cinemas mundo afora, sem contar o lucro em DVD. A segunda é que os caras que exibiram o filme nos EUA e na Europa realizaram várias exibições a caráter de teste e o povo ficou bem assutado – dá para ver isso nos vídeos que você encontra no YouTube, que são bem divertidos. Um exemplo é este vídeo, que a PlayArte usou como trailer de Atividade Paranormal na época de lançamento nos cinemas no Brasil.

Bom, mudando o tópico para o filme, a história não sai muito do lugar comum. Katie e Micah (os nomes reais dos atores são mantidos nos personagens, sim) formam um casal que acaba de se mudar para uma casa recém-comprada. Katie é uma estudante universitária que passa bastante tempo em casa, enquanto Micah trabalha fora e geralmente chega no final do dia. Com isso, Katie fica a maior parte do dia sozinha. Neste cenário, alguns fenômenos estranhos como ruídos, portas que batem sozinhas e afins começam a acontecer e Katie fica assustada ao ponto da paranoia. Micah não dá muita bola e acha que sua mulher está exagerando. Só que a tal atividade paranormal aumenta significativamente e nem mesmo ele, um homem que se considera lógico e racional, consegue achar explicação.

Para tentar flagrar aquilo que eles pensam ser uma presença estranha, Micah instala uma câmera no quarto do casal, ligada o tempo todo, para registrar o cotidiano de Katie, em especial nas horas em que ninguém está olhando. Com isso, os dois podem observar tudo o que se passa durante a noite e confirmar o que realmente está acontecendo, se há algo de sobrenatural no ar ou é apenas imaginação da jovem. De fato, há algo de muito estranho acontecendo e as câmeras pegam isso dentro do quarto do casal. E conforme os fenômenos paranormais aumentam, proporcionalmente cresce a curiosidade de Micah e a paranoia de Katie, o que influencia de forma negativa e até assustadora a convivência do casal em casa. Progressivamente, a vida de Katie e Micah se torna insuportável, já que, de formas distintas, o casal fica obcecado com a presença e isso leva a trama a um desfecho extremo e nada feliz.

Na prática, Atividade Paranormal é um ótimo filme de terror. Ele mantém o suspense, o ritmo de documentário e é repleto de momentos de humor negro, itens essenciais para dar um tempero interessante em qualquer filme do gênero. Apesar de a sinopse do filme dar uma ideia de a produção ser mais uma das inúmeras a repetir o mesmo cliché do casal em uma casa assombrada, Atividade Paranormal consegue escapar dessa classificação por conter bons sustos, momentos de surpresa e tensão e certa dose de humor, que rapidamente é ofuscada pela trama bem costurada pelo diretor/roteirista Oren Peli. Em poucas palavras, o filme é simples e eficiente. Recomendo.

Nota: 8,5

Mudança e atualização

•30/09/2011 • Deixe um comentário

Saudações!

De volta das férias, recomeço as postagens do projeto 365 Dias de Terror. A última resenha que escrevi foi a de número 54, sobre o filme Quarentena. Agora, retomo do número 55, cujo texto é sobre o filme Atividade Paranormal.

Em adição a isso, estou começando as postagens no Tumblr.com, um site de blogs muito legal e mais simples de ser usado e atualizado. Durante a duração do projeto, farei todas as postagens em duplicidade, mantendo este blog ativo. Acabados os 365 filmes, passarei a usar somente o Tumblr.

Se você que acompanha este blog quiser ver notícias e informações sobre filmes de terror, fique atento ao meu novo endereço: http://guiapraticodeterror.tumblr.com/

 

 

 

 

 

 

Férias e retorno – ATUALIZADO

•14/09/2011 • Deixe um comentário

Olá!

Quem acompanha este blog deve ter notado o lapso na postagem de novas resenhas. Isso se deu por que saí de férias.

Como trabalho com texto e escrevo diariamente, resolvi dar um tempo em tudo mesmo, já que é para isso que servem as férias, certo? :)

Bom, estou de volta e estou com um fechamento bravo na editora. Portanto, retorno às postagens do projeto 365 Dias de Terror na próxima sexta, dia 30 de setembro.

Obrigado por ajudar a aumentar – e muito – a frequência deste blog!

Nos vemos novamente em breve. Até lá!

54. Quarentena

•23/08/2011 • Deixe um comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: Quarentena

Nome original: Quarantine

Ano de produção: 2008

País de produção: EUA

Direção: John Erick Dowdle

Roteiro: John Erick Dowdle e Drew Dowdle, baseados no original de Jaume Balagueró, Paco Plaza e Luiso Berdejo

Elenco: Jennifer Carpenter, Steve Harris, Columbus Short, Jay Hernandez, Jonathan Schaech

Duração: 89min

Distribuidora: Sony Pictures

 

Resenha:

Depois que [REC] foi lançado e estourou pela Europa, era questão de tempo que o filme chegasse à América e ganhasse também a atenção de Hollywood. Todavia, nesse caso o processo de realização de um remake teve velocidade fora do normal e em menos de um ano já havia sido lançado Quarentena, versão norte-americanizada do trabalho de Jaume Balagueró e Paco Plaza. E, logicamente, o efeito nas bilheterias que Quarentena, dirigido por John Erick Dowdle, teve foi muito maior que o seu original, tanto nos EUA como no Brasil – enquanto Quarentena somou mais de US$ 41 milhões no mundo, [REC] não passou dos US$ 15 milhões. Em ambos os casos, as produções podem ser consideradas de sucesso, pois superaram de longe seus orçamentos.

Em termos de história, Quarentena pouco mudou com relação ao seu original, apenas adaptando as realidades entre Espanha e EUA, trocando, por exemplo, um casal de coreanos por um casal de africanos, entre outras coisas. O clima, no entanto, é outro. Apesar de os dois filmes serem escuros, o ritmo de Quarentena é mais jovial e limpo, com piadas mais universais e elenco mais solto. Isso, claro, surte o efeito de popularização do filme e tira o ar de “europeu” da trama.

O elenco de Quarentena é conhecido para quem acompanha o universo dos filmes de terror. Angela Vidal, personagem que foi da desconhecida (para nós) Manuela Velasco, é interpretado por Jennifer Carpenter, atriz que pode ser vista no seriado de TV Dexter e também no bacana O Exorcismo de Emily Rose. Outros atores, como Jay Hernandez, de O Albergue, e Jonathon Schaech, de Vampiros do Deserto, também são conhecidos. O que isso muda? Bom, ajuda a convencer o publico a ver o filme, em primeiro lugar. Na prática, dá mais credibilidade também. No final das contas, não muda o fato de o filme ser uma refilmagem caprichada e eficiente e um bom filme espanhol.

Sobre o diretor, John Erick Dowdle, pouco sei, além do fato de ele ter dirigido o recente Demônio, escrito e produzido por M. Night Shyamalan, famoso por O Sexto Sentido. É basicamente isso, já que não vi seus outros filmes. A produção ficou a cargo de outro Dowdle, Drew, irmão de John Erick, que também co-assinou o roteiro.

Somados todos os fatores sobre o filme e deixando de lado a comparação quase inevitável com [REC], Quarentena é um terror eficiente e que preenche todos os requisitos para agradar ao public brasileiro. Se ele tivesse sido realizado em condições diferentes em vez de ser jogado na bota do original e com poucas alteração com relação a ele, talvez o resultado pudesse ter sido melhor. Vi, gostei e recomendo.

 

Nota: 7

53. [REC]

•22/08/2011 • 1 Comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: [REC]

Nome original: [Rec]

Ano de produção: 2007

País de produção: Espanha

Direção: Jaume Balagueró e Paco Plaza

Roteiro: Jaume Balagueró, Paco Plaza e Luiso Berdejo

Elenco: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Pablo Rosso, David Vert, Vicente Gil

Duração: 78min

Distribuidora: California Filmes

 

Resenha:

Depois do sucesso de A Bruxa de Blair (resenhado já neste blog), com a alucinada câmera na mão e imagem alternando-se entre primeira e terceira pessoas, poucos filmes usaram essa fórmula e suas variações, e obtiveram relativo sucesso. Em 2007, uma produção rodada na Espanha conseguiu fazer uma releitura desse formato e nasceu [REC], um filmaço de Jaume Balagueró e Paco Plaza, um par de bons cineastas de terror daquele país. E a película fez tanto sucesso na Europa que rapidamente foi parar nos EUA, onde ganhou uma refilmagem em 2008 chamada Quarentena. A dupla espanhola ainda dirigiu [REC] 2 – Possuídos (já resenhado aqui) e Plaza está em processo de pós-produção do terceiro filme, que conta a origem do mal que assola o povo nos dois primeiros exemplares da série.

A história de [REC] é bem simples no que diz respeito ao desenrolar da trama. O ponto de partida é a gravação da rotina de um destacamento do corpo de bombeiros de Barcelona por um programa noturno de televisão. Junto dos oficiais estão uma repórter, Angela Vidal, e seu câmera, registrando toda a movimentação no quartel e entrevistando a todos no local para saber mais da rotina dos profissionais. Tudo vai na maior monotonia até que um chamado de resgate em um prédio antigo acontece e o grupo, acompanhado pelos repórteres, vai atende-lo. No local, a situação parece simples de ser resolvida, com uma idosa presa em sua casa e precisando de auxílio. Com a polícia no local, os bombeiros partem para o apartamento da senhora e arrombam a porta. Lá, as coisas não são tão simples como pareciam.

A idosa que estava presa em sua casa, segundo relatam os vizinhos, gritava alucinada.

 


Dentro o imóvel, os policiais e os bombeiros tentam dialogar com a mulher, que está toda cheia de sangue pela roupa. Ela grita e parece fora de si. De repente, ela ataca um policial e o morde, dilacerando a garganta dele. Sem saber o que fazer, os oficiais começam a tentar reanimar o companheiro e a conter a mulher, que parece cada vez mais louca.

Deste ponto em diante, melhor que eu não fale mais da trama, toda observada do ponto de vista da câmera da reportagem, incluindo os cortes estranhos, a imagem tremida, as cenas de fuga em que o chão é tudo o que o espectador vê, enfim, é bastante realista o modo como o ponto de vista do público vê o filme. E isso é muito eficiente na hora de dar sustos e montar uma trama tensa, com várias surpresas e descobertas ao longo do filme.

Para fechar, [REC] é um dos melhores filmes de terror que vi em tempos. Quando o vi pela primeira vez, no cinema, foi maravilhoso. A atmosfera escura da sala de exibição colaborou com o clima escuro do filme. Em casa, funciona muito bem também. Se você puder escurecer a sala, a sensação de realismo aumenta e a diversão é maior. Imperdível.

 

Nota: 10

52. Padre

•22/08/2011 • Deixe um comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: Padre

Nome original: Priest

Ano de produção: 2011

País de produção: EUA

Direção: Scott Charles Stewart

Roteiro: Cory Goodman, inspirado pelos quadrinhos de Min-Woo Hyung

Elenco: Paul Bettany, Cam Gigandet, Maggie Q, Karl Urban

Duração: 87min

Distribuidora: Sony Pictures

 

Resenha:

Padre está mais para ação/ficção científica que para terror, mas como eu já vi diversos sites marcando o filme como sendo de terror, resolvi conferir essa produção. A verdade é que por ser uma história que envolve vampiros, estava na cara que não teria como não relacionar uma coisa à outra. Padre até que tem alguns momentos de mais violência, mas nada que o qualifique como um filme propriamente de terror. Isso quer dizer que esta resenha será breve.

Baseada nos quadrinhos de um autor coreano, a trama mostra um mundo devastado por uma guerra entre humanos e vampiros. Os humanos venceram graças a uma ordem especial da igreja batizada de Padres, composta por religiosos treinados para matar em nome da fé. Depois do fim da guerra, os membros deste exército que sobreviveram acabaram se tornando párias da sociedade. O mesmo aconteceu aos vampiros que restaram, forçados a viver em colônias distantes dos núcleos povoados.

Num posto de vigilância no deserto, uma família é atacada por um grupo de vampiros. Na ação, uma jovem é sequestrada enquanto seus pais são assassinados. Porém, o tio da garota que foi levada é um padre e ele acaba quebrando todas as regras da ordem para investigar o ocorrido. Ao chegar na região, descobre que os vampiros estão se reorganizando para uma nova ofensiva, desta vez muito maior, contra a humanidade. Obviamente, o padre vai para cima dos monstros para evitar que isso aconteça.

Em suma, Padre é um bom filme de ação, com bastante efeitos especiais. Quem teve a chance de ver o filme em 3D no cinema deve ter se divertido. Em DVD, sem o 3D, ele vale como uma sessão da tarde, com pequena restrição aos que não curtem muito sangue demais. Para quem gosta de vampiros, não espere encontrar um Lestat da vida, pois os mortos vivos de Padre não são bem nesse estilo.

 

Nota: 6

51. The Walking Dead – 1ª Temporada

•22/08/2011 • 6 Comentários

Ficha Técnica

Nome nacional: The Walking Dead – 1ª Temporada

Nome original: The Walking Dead – Season 1

Ano de produção: 2011

País de produção: EUA

Criado por: Frank Darabont (seriado)

Elenco: Andrew Lincoln, Jon Bernthal, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden, Norman Reedus, Jeffrey DeMunn, Steven Yeun, Chandler Riggs, IronE Singleton

Duração: 45min (cada episódio)

Distribuidora: PlayArte (home vídeo) e FX (TV a Cabo)

 

Resenha:

Os zumbis já fazem parte da cultura pop mundo afora, isso é fato. Apesar de pouca gente saber como tudo começou, quem é George A. Romero e o que ele fez, quem são os mortos vivos, enfim, a mitologia toda, The Walking Dead é a primeira empreitada que deu certo do gênero na TV. Por “do gênero” entendam o mundo apocalíptico dos zumbis. O terror já teve várias passagens pela TV desde a época da Hammer, que tinha seu próprio programa, as séries Além da Imaginação, Histórias Maravilhosas, Quinta Dimensão, chegando recente ao Mestres do Terror. Obviamente, deixei alguns nomes de lado na lista de seriados de terror na TV, mencionei apenas os que me vieram à cabeça no momento em que escrevi essa resenha. Na verdade, isso pode até gerar um post independente no futuro. Se você que lê esse texto quiser ver um post do gênero, deixe um comentário.

Sobre The Walking Dead, seu criador, Frank Darabont, é um velho conhecido dos fãs de Stephen King, já que o cineasta é um dos que mais adapta o material do escritor para a tela, seja no cinema ou na TV. Exemplos disso são o já cult Sepultado Vivo (já resenhado aqui) e À Espera de um Milagre. Os zumbis na telinha já fizeram relativo sucesso na Europa quando a minissérie Dead Set foi lançada. Tratava-se de um reality show cujos participantes descobrem que estão isolados depois que o mundo é tomado por uma epidemia de zumbis. Uma boa ideia, criticando essa moda idiota de realities. The Walking Dead tinha portanto um terreno fértil para nascer. E assim o fez, dando ótimos índices de audiência nos EUA e também no Brasil.

Inicialmente, The Walking Dead foi uma aposta ousada da rede norte-americana AMC, um canal à cabo que passa filmes e seriados. Produzido com base em uma conceituada série em quadrinhos, o seriado teve apenas seis episódios em sua primeira temporada, a título de teste para ver a reação da audiência. Por ter uma proposta inovadora e caprichar no visual e na produção, o sucesso foi imediato. No Brasil, The Walking Dead chegou primeiro pela TV paga, indo ao ar nos canais Fox (Fox e FX). O sucesso foi recompensado com a renovação da série para uma temporada nova, com 12 ou 13 episódios (à confirmar).

Quem distribui The Walking Dead em DVD e em Blu-ray é a PlayArte, uma das poucas distribuidoras nacionais (uma das maiores independentes) que investe em títulos de terror e sempre tem boas novidades do gênero. O pack contém os seis episódios e mais alguns extras. A previsão de chegada no varejo do pack é 14 de setembro.

Falando mais da trama, o foco está em um grupo de sobreviventes que tenta encontrar um modo de escapar dos mortos vivos e achar um local seguro para se estabelecerem. O público tem o primeiro contato com esse universo com um dos protagonistas, Rick Grimes, xerife de uma cidade nos arredores de Atlanta que estava em coma no hospital depois de um tiroteio em que ele foi ferido. Ele desperta do coma e se depara com uma realidade completamente diferente da que ele conhecia. Ele consegue voltar para casa e lá encontra sinais de que sua esposa e seu filho fugiram, o que lhe dá esperança e o motiva a procura-los. Só que encontrar sua família parece um trabalho complicado quando as ruas estão tomadas por zumbis famintos. É nesse cenário desolado que ele conhece alguns sobreviventes e vê como o homem pode mudar quando a sociedade que regulava a vida de todos deixa de existir.

Em suma, The Walking Dead é uma boa pedida, um seriado bacana que merece um espaço na prateleira. Estou esperando ansiosamente o lançamento para que eu possa comprar o meu. Ver na TV foi bacana, mas ver em HD deve ser melhor ainda. Recomendo!

 

Nota: 8,5

50. Deixe-me Entrar [atualizado]

•22/08/2011 • 1 Comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: Deixe-me Entrar

Nome original: Let Me In

Ano de produção: 2010

País de produção: EUA e Inglaterra

Direção: Matt Reeves

Roteiro: Matt Reeves, baseado no roteiro original de John Ajvide Lindquist

Elenco: Kodi Smit-McPhee, Chloe Moretz, Richard Jenkins, Elias Koteas, Cara Buono, Dylan Minnette

Duração: 116min

Distribuidora: Paramount

Resenha:

Este é mais um daqueles exemplares da safra recente de refilmagens. Desta vez, o original é uma produção sueca bastante comentada mundialmente e que fez relativo sucesso. Deixe-me Entrar pode ser incluído na lista de bons remakes, já que o diretor Matt Reeves fez um bom trabalho e conseguiu manter o clima tenso e sombrio do original, além de incluir alguns efeitos digitais para dar uma reforçada na violência.

Matt Reeves não é um diretor de muita expressão no Brasil. Ele tem 11 produções em seu currículo, sendo que grande parte de sua experiência vem da TV e de filmes menores. Seu primeiro trabalho de maior orçamento foi Cloverfield – Monstro, produzido por JJ Abrams, diretor-produtor de grande fama em Hollywood. Antes de ter visto Deixe-me Entrar, tive o cuidado de ver a ficha do filme, como faço em quase todas sessões a que assisto. Quando vi o nome de Reeves nos créditos e lembrei de Cloverfield, soube que o filme poderia ser uma boa opção e não me arrependi. Gostei do que vi.

A trama de Deixe-me Entrar tem como ponto central um garoto chamado Owen, vivido pelo sem sal Kodi Smit-McPhee, que também pode ser visto no drama apocalíptico A Estrada. Antes de falar da atuação do rapazote, vou acabar de falar da história, assim não perco o foco. Owen é filho de um casal que vive separado, sendo o menino criado pela mãe, que vive brigando com seu marido (ou ex, isso não fica muito claro). Com isso, o garoto é muito solitário e seu comportamento em casa tem reflexos ruins na escola, já que ele é atormentado por Kenny, um valentão clássico, e sua turma.

Owen tem por hábito observar seus vizinhos com um telescópio e ele frequentemente flagra sua bela e jovem vizinha em momentos mais íntimos com seu marido mais velho. Certa noite, Owen vê a chegada de novos vizinhos – uma garota da sua idade e um homem já mais velho –, que vão morar no mesmo prédio que o menino, no apartamento ao lado. Ao mesmo tempo em que os novos vizinhos chegam, uma onda de desaparecimentos tem início no local. Na investigação, um policial começa a achar que se trata de um caso de cultos satânicos ou seitas e afins.

Na escola, a situação de Owen começa a piorar quando ele se diverte ao ver Kenny, seu antagonista, ser repreendido pelos professores. O riso escondido do garoto o coloca na mira do valentão, que sempre arruma uma oportunidade de machucar Owen. Num momento de solidão no pátio do prédio, Owen conhece sua vizinha, Abby. Eles trocam algumas palavras e Owen e Abby começam a sentir afinidade um com o outro. O tempo vai passando e eles vão se aproximando, até que se tornam quase inseparáveis. E essa proximidade começa a fazer bem para os dois, já que Owen começa a progressivamente se tornar mais forte e a se defender das agressões, e Abby se torna mais amável com o seu tutor. Paralelamente, o espectador começa a descobrir quem Abby é de verdade e sua natureza assassina. Não tarda para que Owen também descubra. O grande barato está no fato de ele aceitar ou não quem sua amiga é de verdade.

O roteiro de Deixe-me Entrar é muito interessante e as situações que ele cria são ao mesmo tempo curiosas e assustadoras. As primeiras cenas do filme já dão ao público um gostinho de o que ele verá pela frente. O começo, em termos de tempo narrativo, é uma cena já do meio da história e a partir dela o texto volta ao começo para mostrar como se chegou até aquele ponto. Faz sentido? É mais fácil ver o filme do que escrever sobre ele, isso eu digo com certeza. Continuando…

Os protagonistas, Owen e Abby, são vividos por dois atores jovens que já têm sucessos em suas carreiras. Owen, como eu já mencionei antes, pode ser visto em A Estrada. Sinceramente, não gostei dele naquele filme e também não vi diferença dele neste. Para mim, parece que ele ficou preso no papel do menino indefeso e com cara de que vai chorar a qualquer momento. Enfim, nos dois casos, esse era o personagem que as duas tramas precisavam, logo, sucesso. No caso de Abby, ela também vive dois papeis com características semelhantes, ao menos no meu ponto de vista. A atriz Chloe Moretz interpreta Abby em Deixe-me Entrar e Mindi/Hit Girl em Kick Ass – Quebrando Tudo, duas personagens mais ágeis, fisicamente mais ativas. A grande diferença de Chloe para Kodi é que o personagem dela em Deixe-me Entrar exige mais emocionalmente, pois ela progride de um ser quase animal para uma criatura mais humana – e isso fica evidente e pode ser considerado uma grande virtude do filme.

Concluindo, deve-se ver Deixe-me Entrar com certa distância de Deixa Ela Entrar, seu original. São dois bons filmes, duas tramas semelhantes (obviamente), mas que têm execuções diferentes e públicos diferentes. Enquanto o mais recente é uma visão hollywoodiana com ar de independente, o original é um filme de arte com uma pegada mais crua e violenta. Ambos valem a pena. Para os fãs de terror, uma informação adicional: Deixe-me Entrar é uma produção da Hammer, que está de volta à ativa.

Nota: 9

49. A Órfã

•19/08/2011 • Deixe um comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: A Órfã

Nome original: Orphan

Ano de produção: 2009

País de produção: Alemanha, Canadá, EUA e França

Direção: Jaume Collet-Serra

Roteiro: David Johnson, baseado na trama de Alex Mace

Elenco: Vera Farmiga, Peter Sarsgaard, Isabelle Fuhrman

Duração: 123min

Distribuidora: Warner

 

Resenha:

Ouvi falar muito bem de A Órfã e por tempos tentei alugar o filme na NetMovies. Quando eu recebi o filme e gastei mais de duas horas do meu sábado à noite para assisti-lo, me senti um idiota por ter tanta expectativa por um filme com final tão idiota. Surpreendente, mas idiota. Não posso dizer que a caprichada produção é totalmente ruim, pois o filme tem clima mórbido e com passagens muito tensas, dignas de um bom filme de terror. Também tem um roteiro envolvente, que sempre deixa em dúvida quem é de fato a tal órfã do título. Porém, um final tão mirabolante como o que o desconhecido diretor Jaume Collet-Serra oferece ao público é absurdamente brochante.

Há tempos que quero escrever sobre A Órfã, mas eu nunca tinha encontrado uma forma de falar bem dele. Portanto, já disse o que eu penso no primeiro parágrafo e, para não contaminar ainda mais a cabeça de quem ainda tem curiosidade de ver este filme, vou desligar o modo crítico do meu cérebro e descreverei um pouco da trama para concluir este novo post.

A Órfã narra a história da família Coleman. Eles não passam por um bom momento, especialmente o casal Kate e John, que lutam para permanecerem juntos depois que a gravidez da moça termina de forma trágica. Eles têm dois filhos pequenos, Daniel, um garoto um tanto revoltado, e Max, a caçula que possui problemas auditivos. Em um esforço para retomar a vida de paz em casa, o casal resolve adotar uma criança. Eles vão ao orfanato e Kate se encanta com Esther, uma garota quieta muito educada e bastante inteligente. Não demora a que Esther conquiste também John e se torne a mais nova integrante da família Coleman.

Obviamente, depois que Esther está instalada na residência de sua nova família, a “menina” começa a colocar suas asinhas assassinas de fora e a vida de todos passa a correr perigo.

Vejam o filme e depois venham me deixar um comentário. Deixei uma dica do final do filme perdida neste texto. Se você já tiver visto A Órfã saberá do que estou falando. Não gostei, mas deixo aí a dica para quem gosta de filmes com finais surpreendentes, para o bem ou para o mal.

 

Nota: 5

48. A Última Casa

•19/08/2011 • 1 Comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: A Última Casa

Nome original: The Last House on the Left

Ano de produção: 2009

País de produção: EUA

Direção: Dennis Iliadis

Roteiro: Adam Alleca e Carls Ellsworth, baseados no original de Wes Craven

Elenco: Garret Dillahunt, Monica Potter, Tony Goldwyn, Sara Paxton

Duração: 114min

Distribuidora: Universal

Resenha:

Quando escrevi a resenha do filme Doce Vingança, mencionei algumas refilmagens recentes que achei interessantes. Propositalmente, eu já deixei programado na lista de filmes que eu resenharia em agosto alguns remakes na sequência para que eu pudesse criar um link entre os textos. A Última Casa é um refilmagem (que está mais para releitura) de um cult de Wes Craven, lançado em 1972, batizado no Brasil de Aniversário Macabro. A Última Casa (do original The Last House on the Left) fez bastante barulho quando lançado em 2009 por conter cenas bastante fortes de violência sexual, agressão física e sangue. Na verdade, o que o diretor Dennis Ileadis fez foi atualizar o texto e adicionar uma dose extra de brutalidade – o suficiente para competir com pérolas como O Albergue e Jogos Mortais, citando apenas alguns exemplos.

A família Collingwood, composta pelo pai, o médico John (Goldwyn); a mãe, Emma (Potter); e a jovem Mari (Paxton), parte para uma viagem de férias para a casa da família perto de um lago no interior. Mari é uma aluna aplicada, atleta de natação no time da escola, brigando para ganhar uma bolsa em uma boa universidade. Pouco depois de chegarem à casa do lago, a garota pega o carro emprestado e vai visitar Paige, uma amiga que trabalha em um mercadinho no centro da cidade. As duas conversam bastante, colocam o papo em dia e Paige diz a Mari que está querendo arranjar um pouco de maconha para as duas se divertirem. Justin, um rapaz tímido que está fazendo compras na lojinha, ouve a conversa e oferece a elas a droga, que está guardada no quarto de hotel em que ele está com a família. Ele as convida para fumar com ele e elas topam.

Tudo vai às mil maravilhas no quarto do hotel e os três jovens se divertem. Só que tudo vai para o buraco quando a família de Justin chega. O pai do garoto é Krug (Dillahunt), um criminoso que acabou de ser tirado da prisão por seu irmão, Francis, e sua namorada, Sadie. Os três chegam e dão de cara com a farra de Mari, Justin e Paige. Os bandidos querem roubar o carro de Mari e começam a especular sobre a garota. O grupo segue no carro de Mari pela estrada até que sofrem um acidente. Neste momento, a situação de Mari e Paige piora, pois Krug resolve se divertir com as garotas e Francis e Sadie entram na brincadeira.

Rapidamente, um espetáculo de violência tem início. Depois de matarem Paige e ferirem Mari, os quatro familiares seguem pela estrada até chegarem a uma casa perto do lago. Lá, buscam abrigo, sem revelarem que são fugitivos da lei. O que eles não esperavam era que a casa fosse dos pais de Mari, que logo descobre o que aconteceu e partem para retribuir o “carinho” que eles tiveram com a filha deles na mesma moeda.

A Última Casa, sendo ou não remake ou adaptação de Aniversário Macabro, é um ótimo filme de terror e suspense. As cenas de brutalidade são muito bem filmadas, com ótimos efeitos visuais e ritmo frenético nas cenas de fuga e de luta corporal. Para quem tem estômago fraco, melhor ficar longe, pois há cenas de violência bastante explícitas, incluindo abuso sexual e morte. Um bom exemplar da safra atual de refilmangens.

Nota: 8

47. Doce Vingança

•16/08/2011 • Deixe um comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: Doce Vingança

Nome original: I Spit on Your Grave

Ano de produção: 2010

País de produção: EUA

Direção: Steven R. Moore

Roteiro: Stuart Morse, baseado no roteiro original de Meir Zarchi

Elenco: Sarah Butler, Jeff Branson, Andrew Howard

Duração: 108min

Distribuidora: Paris Filmes

Resenha:

Nos últimos anos, uma série de refilmagens tem chegado aos cinemas (ou diretamente em DVD, em alguns casos). Muitos títulos considerados clássicos e até censurados na época de seus lançamentos foram adaptados para o momento atual, com altas doses de violência. Alguns ficam bons, outros nem tanto. Posso citar alguns exemplos de remakes que deram certo, como A Hora do Pesadelo, Viagem Maldita, O Massacre da Serra Elétrica e A Última Casa, para citar alguns. Falando de uma produção mais recente, lançada em 2011, Doce Vingança se encaixa nesse formato de filme e pode ser colocado na lista dos bem feitos.

Em 1978, um certo filme chamado I Spit on Your Grave foi lançado nos Estados Unidos e foi bombardeado pela censura e pela crítica, sendo banido de vários países por conter cenas de violência explícita. No Brasil, o filme chegou como A Vingança de Jennifer, título que traduz bem o que o filme mostra e o que se mantém inalterado em Doce Vingança. Jennifer Hills (Butler) é uma bela mulher que ganha a vida como escritora de romances. Ela decide deixar de lado o agito da cidade para se concentrar em seu próximo livro. Então, Jennifer parte para um retiro em uma cabana isolada em uma floresta que cerca uma pequena cidade.

Se estabelecendo na pequena comunidade, Jennifer faz algumas compras e atrai a atenção de uns rapazes locais, que passam a observar atentamente a forasteira, ao ponto de segui-la até a cabana. Só que eles vão longe demais ao invadir a casa e atacar a moça. Repetidamente, cada um deles bate e violenta Jennifer. Quando ela pensa que a ajuda chegou ao ver um policial se aproximar, percebe que ele também está com os marginais e também tira a sua casquinha da já abatida mulher. Eles levam Jennifer para o meio da floresta, onde continuam os atos de brutalidade contra ela. Mas quando eles pensam que ela já não tem mais forças para sequer se levantar, ela consegue correr deles e se joga no riacho que corta a região, desaparecendo. Dada como morta pelo bando, Jennifer consegue sobreviver à violência e retorna para retribuir o “carinho” que ela recebeu de cada um deles. E ela faz isso de forma metódica e sem deixar sobreviventes para contar a história.

Doce Vingança tem o roteiro basicamente igual ao seu original, A Vingança de Jennifer, com algumas mudanças essenciais para atualizar a trama. Se no antigo a protagonista era uma moça querendo se estabelecer profissionalmente, no atual ela já possui uma carreira e tem plenos recursos para se dar ao luxo de tirar umas férias da cidade e viver bem no interior. Isso, pelo que entendo, aproxima Jennifer das mulheres de hoje, independentes, fortes e sem nada a dever para os homens. E isso fica ainda mais evidente na brutalidade muito mais explícita com que a protagonista executa sua vingança contra seus agressores.

A direção de Doce Vingança é de Steven R. Monroe, que já caminhou pelo terror algumas vezes antes com Terror na Escuridão e Aprisionados, produções até que interessantes. O roteiro foi (re)escrito por Stuart Morse, cujo currículo se resume a apenas uma linha, incluindo o filme aqui resenhado. Não que isso seja demérito, já que o original de 1978 também foi escrito e dirigido por um novato à época e aqui estamos falando de sua refilmagem.

Se o leitor gosta de filmes fortes e com cenas de provocar arrepios (não de medo mas de aflição), Doce Vingança é um prato cheio. Para mim, fica mais a recomendação por ser uma história atual, bem conduzida e que segue uma linha de violência estilizada que parece estar se tornando padrão depois de Jogos Mortais.

Nota: 8,5

46. The Killer Shrews – O Ataque dos Roedores

•16/08/2011 • Deixe um comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: The Killer Shrews – O Ataque dos Roedores

Nome original: The Killer Shrews

Ano de produção: 1959

País de produção: EUA

Direção: Ray Kellogg

Roteiro: Jay Simms (baseado em seu próprio conto)

Elenco: James Best, Ingrid Goude, Ken Curtis

Duração: 70min

Distribuidora: Flashstar

 

Resenha:

Com tantos filmes novos de terror lotando as prateleiras, sempre faz bem dar uma olhada no arquivo e ver algumas pérolas esquecidas e lembrar como é divertido ver um filme de terror feito em uma época em que os recursos eram escassos e a criatividade era de sobra. The Killer Shrews – O Ataque dos Roedores faz parte de uma coleção que a Flashstar lançou há pouco tempo apenas com raridades da ficção científica e do terror. Não posso afirmar por todos os filmes deste selo, mas grande parte chega em versões colorizadas. O original em preto-e-branco vem como extra do DVD.

Realizado no final da década de 1950, The Killer Shrews é um dos vários filmes da época que tem como tema o modo como a ciência interfere na natureza e a forma como isso dá errado e volta pior para a humanidade. Em geral, os filmes de ficção científica desta fase do cinema se baseiam no fantástico, como algo natural que extrapola a realidade ou sem seres irreais que surgem para invadir o planeta, sejam vindos de fora dele ou de algum ponto remoto de seu interior.

A história de O Ataque dos Roedores parte do momento em que o marinheiro Thorne Sherman (Best) chega a uma ilha para retirar os moradores do local. Quem o contratou foi um cientista, o Dr. Craigis (Baruch Lumet), que está no local com sua filha Ann (Goude), seus empregados e outro médico, e quer sair de lá imediatamente. Porém, uma tempestade se forma rapidamente e o grupo fica preso na ilha. É nesse momento em que começam a acontecer misteriosos ataques aos empregados da família em cantos mais remotos do terreno.

Preso na casa principal junto de Ann e Craigis, Thorne começa a descobrir o tipo de experimento que os cientistas estão realizando na ilha e as consequências disso. Ann está muito tensa e se assusta com qualquer ruído. Thorne começa a suspeitar de que algo está errado e Craigis confessa que algo deu errado em suas experiências e o resultado é que as cobaias, pequenos ratos de laboratório, cresceram muito e estão à solta perto da casa. Com alguns empregados mortos, Thorne logo conclui que os ratos gigantes estão em busca de alimento e o jantar poderá ser ele.

Os efeitos muito toscos quando vistos hoje em dia dão um charme especial a The Killer Shrews – O Ataque dos Roedores. O clima que esse tipo de história causava no passado já não tem a mesma (para não falar nenhuma) eficiência e não assusta em nada. Digo isso sem menosprezo algum pelo filme. Se pensarmos no tanto de violência que temos expostos na TV e nos filmes, não só de terror, mas de qualquer gênero, chega a ser ridículo pensar em comparar. A beleza deste filme está justamente em sair dessa atmosfera tão presa à realidade e fazer uma curta viagem no tempo para ver o que habitava a imaginação das gerações passadas e motivava o cinema fantástico. Uma viagem no tempo altamente recomendada.

 

Nota: 7

45. O Exorcista

•16/08/2011 • 1 Comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: O Exorcista

Nome original: The Exorcist

Ano de produção: 1973

País de produção: EUA

Direção: William Friedkin

Roteiro: William Peter Blatty (baseado em seu próprio livro)

Elenco: Max Von Sydow, Linda Blair, Jason Miller, Ellen Burstyn

Duração: 132min

Distribuidora: Warner

 

Resenha:

Poucos filmes de terror fizeram tanto sucesso quanto O Exorcista. Impecável tecnicamente e com um roteiro muito bem escrito, ambas estas características premiadas com o Oscar®, este filme sobreviveu assustador até os dias de hoje, inspirando diversas variantes do tema e imortalizando a imagem da garota possuída pelo demônio flutuando sobre a cama e gorfando sobre o padre que tenta libertá-la. Méritos para toda a equipe, liderada por William Friedkin, que dirige com mão firme uma produção que ao menor deslize poderia ter se tornado mais um amontoado de clichês do gênero. Na verdade, ela se tornou base para diversos truques e cenas imitadas à exaustão até hoje – fonte vasta para o nascimento de clichês. Engraçado isso, não?

Um sucesso como esse tem seus prós e seus contras, obviamente. Para o roteirista e para o diretor, ótimas chances de mostrar serviço em Hollywood. Para o elenco, portas se abrindo para novos horizontes e, quem sabe, valorizar a carreira. Isso tudo motivado por nada menos que 10 indicações ao Oscar®. Como eu já mencionei antes, levou dois deles. Mesmo assim, alguém já ouviu falar de um filme de terror com tamanho reconhecimento da indústria? Mas entre todos os envolvidos em O Exorcista, quem levou a pior foi Linda Blair, que apesar de ter feito um excelente papel, acabou tão marcada pela possuída Reagan MacNeil que nunca mais conseguiu se livrar do estigma do personagem. Ela ajudou a fazer essa fama, já que topou fazer uma sequência do filme alguns anos depois. E um fato engraçado sobre isso é que já nos anos 1990, ela protagonizou uma paródia de O Exorcista ao lado de Leslie Nielsen.

Falando sobre o texto, adaptado para o cinema pelo próprio autor do livro, há três tramas paralelas, todas juntando as pontas no final do filme. A primeira delas é sobre Chris MacNeil (Burstyn), mãe da menina Reagan (Blair). Chris é uma atriz famosa nos EUA que decide se mudar para Washington, onde começa a ficar mais perto de sua filha e nota que a garota está passando por estranhas mudanças de comportamento. Em um desses momentos, Reagan surge, como se durante uma crise de sonambulismo, no meio da sala e faz um xixizinho de leve na frente dos convidados de sua mãe. Soma-se a isso os recorrentes pesadelos e movimentos incomuns dos objetos em seu quarto. Tudo isso faz com que Chris submeta sua filha a inúmeros – e dolorosos – testes médicos para descobrir o que se passa. Mas nada disso surte efeito até que em uma sessão de hipnose Reagan começa a falar com uma voz estranha, como se fosse outra personalidade.

A segunda trama envolve o jovem padre Karras (Miller), que passa por um momento familiar tenso com a doença de sua mãe. O sofrimento da idosa faz com que o religioso comece a questionar sua fé e devoção à igreja. Não tarda, sua crença é posta à prova.

Por fim, há a história de outro membro do clero, o padre Merrin (Von Sydow). Ele é um daqueles monumentos da igreja, fontes de conhecimento e origem de lendas sobre exorcismos, já que ele viajou o mundo lutando contra o demônio e suas manifestações. Fato é que a história de Merrin e o ser que possui o corpo da menina Reagan é antiga e o embate entre os dois é inevitável e trágico.

É óbvio que as três histórias convergem para um só desfecho envolvendo os quatro personagens centrais da trama. Não falarei muito sobre isso para não estragar a diversão de quem ainda não viu O Exorcista. Há aqueles que não viram por causa da idade e da fama que o filme tem hoje em dia, de ser velho e não ter estrelas de cinema atuais. Há outros que não assistem a ele pois realmente têm medo. De qualquer modo, se o leitor nunca viu O Exorcista, mas já deu uma espiada em outros filmes do gênero, respira fundo e veja este filme, seja a versão dublada (clássica) ou legendada. Vale a pena – é um legítimo clássico do terror.

 

Nota: 10

44. O Ritual

•14/08/2011 • 1 Comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: O Ritual

Nome original: The Rite

Ano de produção: 2011

País de produção: EUA

Direção: Mikael Hafstrom

Roteiro: Michael Petroni, inspirado pelo livro de Matt Baglio

Elenco: Colin O’Donoghue, Anthony Hopkins, Ciarán Hinds, Alice Braga

Duração: 114min

Distribuidora: Warner

 

Resenha:

Filho de um agente funerário e sem a menor vocação para o serviço, Michael (Colin O’Donoghue) decide seguir a vida religiosa e entra em um seminário. Chegando perto de cumprir os requisitos para se graduar como padre e assumir a responsabilidade de uma paróquia, Michael começa a perceber que sua fé não é mais a mesma e questionamentos começam a surgir em sua cabeça sobre o rumo de sua vida. Quando um incidente em que sua fé é colocada à prova e ele falha, seu mentor lhe sugere que ele vá a Roma fazer um curso sobre exorcismos para que ele veja o poder da fé na vida das pessoas e na libertação do mal.

Em Roma, Michael começa a frequentar os seminários sobre exorcismos e o que ele vê lhe deixa intrigado. Questionador, ele rapidamente se faz presente no curso ao levantar dúvidas sobre o que está sendo exibido. O palestrante chama Michael para uma conversa e pede que ele faça uma visita ao padre Lucas (Anthony Hopkins), um veterano jesuíta que é considerado um dos mais experientes exorcistas da atualidade, apesar de seus métodos pouco ortodoxos.

Michael rapidamente se interessa por Lucas e passa a acompanhar o seu trabalho. Lucas está realizando o trabalho de libertação de uma jovem local, grávida, que está possuída. Ele realiza uma sessão e Michael vê de perto o trabalho, ainda descrente. No entanto, o que ele observa é algo inédito e poderoso. Ainda mais depois que o experiente padre explica que por vezes é preciso mais de uma sessão para a total libertação do possuído. As coisas não acabam bem para a jovem, que termina no hospital dadas suas condições.

O maior desafio, todavia, ainda estava por vir para Michael, que percebe que o comportamento de Lucas está mudando. Com a ajuda de Angeline (Alice Braga), uma jornalista que também acompanhava o curso, Michael precisa usar o que aprendeu e reavivar sua fé para libertar Lucas, que agora está possuído pelo mal que ele costumava combater.

O Ritual é um ótimo filme de terror. A direção de Mikael Hafstrom é bastante segura, assim como no ótimo suspense Fora de Rumo (2005). O cineasta sueco consegue criar uma atmosfera sombria, gélida e tensa, usando ótimos efeitos especiais. Anthony Hopkins está excelente como o padre Lucas, assustador de verdade, como ele já foi vivendo o psicopata Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes. Altamente recomendado!

 

Nota: 8,5

43. O Exorcismo de Emily Rose

•14/08/2011 • 1 Comentário

Ficha Técnica

Nome nacional: O Exorcismo de Emily Rose

Nome original: The Exorcism of Emily Rose

Ano de produção: 2005

País de produção: EUA

Direção: Scott Derrickson

Roteiro: Paul Harris Boardman e Scott Derrickson

Elenco: Laura Linney, Tom Wilkinson, Campbell Scott, Jennifer Carpenter

Duração: 122min

Distribuidora: Sony Pictures

 

Resenha:

Entre os muitos filmes sobre exorcismos e possessões demoníacas que vemos nas prateleiras e chegando aos cinemas, encontramos algumas pérolas e O Exorcismo de Emily Rose é uma delas. Partindo do fim da história e narrando o mesmo caso de dois pontos de vista diferentes, o roteiro dessa produção prende a atenção e ainda oferece uma terceira trama paralela para dar uns sustos no expectador. Quem dirige o filme é Scott Derrickson, cineasta novato em longas à época, tendo apenas uma produção anterior realizada, o terror Hellraiser: Inferno, um filme regular. O roteiro também é assinado por Derrickson, ao lado de Paul Harris Boardman. O texto é envolvente e não se perde em meio às explicações conflitantes para o mesmo evento, o exorcismo do título.

Tudo começa no tribunal, quando o julgamento de um padre chamado Moore (Tom Wilkinson) tem início. A advogada do religioso, Erin Bruner, apesar de não acreditar em nenhuma fé, aceita o caso. O que a procuradoria quer é a pena de morte para o padre, acusado de assassinar uma jovem universitária, Emily Rose (Jennifer Carpenter), durante um ritual de exorcismo. Com a opinião pública e grande parte das provas apontarem que tudo não passa de crendice popular e que o padre acidentalmente matou a garota, Erin tenta encontrar uma forma de evitar que seu cliente seja condenado.

Enquanto acontece o julgamento, a cada novo testemunho, um novo pedaço da história é contado – e mostrado para o expectador. A versão da acusação atesta que Emily tinha problemas neurológicos sérios, um tipo raro de epilepsia, o que provocava escoriações pelo corpo, visões e paranóia. Segundo a família da jovem, ela vivia reclusa em uma fazenda no interior dos EUA e, contra a vontade da família, ela consegue uma bolsa de estudos em uma universidade e aceita. Ela vai morar longe de casa e isso acaba a assustando.

Segundo Moore, Emily Rose o procurou depois de um estranho episódio dentro de uma igreja perto da universidade. Conforme a jovem foi piorando, o padre acreditou ser preciso fazer uma intervenção e realizar o fatídico exorcismo. Depois de toda a luta contra o demônio, que preencheu todos os requisitos da igreja para que o caso seja qualificado como de possessão demoníaca, o corpo da jovem não suportou a exaustão e pereceu.

Com as duas versões já apresentadas, ainda faltava algo para que Erin aceitasse e cresse naquilo que Moore afirma. E isso começa a acontecer quando estranhos fatos começam a acontecer com a advogada fora do tribunal. Pesadelos, a sensação de estar sendo observada, objetos movendo-se de lugar… Enfim, a vida de Erin começa a ficar perturbadora, assim como havia acontecido com Emily Rose antes de sua morte. Com isso, além de acreditar no que o padre diz, ela precisa da ajuda dele para poder concluir o caso e se ver livre do que a perturba.

O grande barato de O Exorcismo de Emily Rose é que ele é um bom filme de terror e um bom filme de tribunal ao mesmo tempo. É interessante ver como os advogados e as testemunhas apresentam duas versões conflitantes dos fatos e nós podermos ver isso na forma de cenas da vida de Emily Rose. Jennifer Carpenter está ótima como a garota possuída. Para quem não a conhece, ela pode ser vista no terror Quarentena (refilmagem de REC) e no seriado Dexter.

Para concluir, este é um ótimo filme, muito bom entretenimento e garante bons sustos e imagens muito bem construídas, com clima bastante tenso. Recomendo!

Nota: 8

 
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