Entrevista com Alexandre Aja

Entrevista com Alexandre Aja, diretor, roteirista e produtor do filme Mirrors, concedida a Brian Collins, do portal Bloody-Disgusting.com, e cedida a este blog, com tradução de André L. C. Ferreira. Confira!

Bloody-Disgusting.com: Então, você é Alexandre Aja, conhecido por gostar de filmes muito sangrentos e cheios de gore. Você afirma estar fazendo um filme sobre fantasmas e, mesmo assim, este nos parece ser seu trabalho mais violento até hoje! Esperávamos que esta produção buscasse ter uma censura mais branda, para maiores de 12 anos, por exemplo.

Alexandre Aja: Você não sabe como estes rumores me irritam! (risos) Quando estávamos filmando, muitas pessoas diziam pela Internet: “Oh, ele está fazendo um filme mais leve, refilmando um destes filmes japoneses de fantasmas!” Digo, sim, esta é uma adaptação de um filme oriental, uma produção coreana que estamos refilmando, cuja idéia é original, os personagens são originais. Minha intensão era a de fazer um filme que explorasse um outro lado do gênero, que fosse um produto parecido com O Iluminado. E este filme chocou quando foi lançado, é um tapa na cara de quem o assiste, entende? E, como todo mundo, fico muito irritado com estas produções que chegam aos cinemas buscando uma censura menor e não conseguem ser eficientes, não são nem um pouco assustadores. “Menos é mais”. Esta é a besteira que alguns estúdios dizem aos roteiristas. Não! Quero ver tudo o que eu quiser! Se eu não puder ter o que quero ver no filme que estou criando, não consigo fazer um bom trabalho.

BD.com: Ao criar Alta Tensão, lançado internacionalmente em 2003, você acabou dando início a uma nova geração de filmes e cineastas na França, permitindo que muitas portas se abrissem para eles nos EUA. Fale um pouco sobre isto para nós.

AA: Quando fiz este filme, não esperava por toda esta repercussão, muito menos gerar este resultado sobre o mercado francês e norte-americano. Eu tinha um orçamento muito pequeno para fazer este filme. Minha intensão era homenagear todos os grandes filmes que me inspiraram a ser um realizador, um cineasta. E acabou sendo um sucesso. Enfim, fico muito contente por ter sido bem sucedido, ao mesmo tempo que ajudei outros profissionais de meu país.

BD.com: Ano passado, você escreveu e produziu P2 – Sem Saída, mas não quis dirigi-lo. Você está preparando mais projetos deste tipo, nos quais cede a cadeira de diretor a profissionais mais jovens e menos experientes a colocarem a mão na massa?

AA: A história de P2 estava guardada em uma gaveta há muito tempo e eu queria vê-la nas telas. Entretanto, pelo fato de ser muito parecida com Alta Tensão, não a desenvolvi porque não queria me repetir. Então, escolhi outra pessoa para tocar o projeto (Franck Khalfoun). E, sim, gostaria de fazer isto novamente, com certeza.

BD.com: Alguns de seus projetos mais antigos ainda não foram lançados nos EUA (N.T.: nem no Brasil!). Há alguma conversa com distribuidoras sobre lançá-los em outros países?

AA: Acho que Furia (sem título nacional) será lançado nos EUA em breve. Este é um filme diferente, uma ficção científica. É bastante violento, mas bem diferente dos outros que vocês conhecem. Vocês verão. As pessoas terão acesso a ele e poderão apreciá-lo.

BD.com: Voltando a Mirrors, assistimos à cena da mandíbula arrancada. Até que ponto esta nova produção se relaciona com estes tipos de efeitos, ao gore? Pode-se dizer que é seu maior projeto até agora ou tem a mesma pegada que os anteriores tiveram?

AA: Pode ser que esta cena seja a mais brutal em termos de gore até hoje… mas o filme ainda guarda muitas outras!

BD.com: Tendo esta cena como referência, parece que você está usando mais efeitos visuais do que antigamente. Como foi isto para você, que sempre apreciou a simplicidade?

AA: Meus filmes não utilizam os efeitos computadorizados tradicionais, como os filmes com monstros ou coisas do tipo. Todavia, a produção está repleta destes efeitos visuais. Eles são muito elaborados ao mesmo tempo que são simples, como as cenas com reflexos nos espelhos, aquelas nas quais você vê o personagem saindo da sala, mas seu reflexo se mantém imóvel no espelho. Estes são os mais simples de serem executados.

BD.com: OK, estão dizendo para me apressar aqui. Então, você pode falar um pouco sobre Piranha, seu próximo projeto?

AA: Piranha é mais um grande desafio para mim. É uma produção com um orçamento enorme e eu gostaria de fazer algo completamente diferente do que fiz nos últimos filmes. Quero fazer o peixe assassino mais sanguinário e violento a ser lançado como filme para as férias. Tudo em 3D!

BD.com: E este remake será tão divertido quanto o original, não tão sério quanto e tão cru como os filmes com a sua assinatura?

AA: Sim, será um filme divertido e cativante, na mesma linha de Fome Animal (Brain Dead, 1992, de Peter Jackson). Com muito gore e sangue, mas muito divertido!

Mirrors chega aos cinemas norte-americanos em 15 de agosto. No Brasil, a previsão de estréia é de 3 de outubro, pela Fox.

~ por andre1979 em 04/08/2008.

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