Violência Gratuita (2007)

Violência Gratuita
(Funny Games U.S.)

   Uma família, composta por um casal de meia idade e seu filho pré-adolescente, chega para passar alguns dias tranqüilos em sua casa perto do lago. Tudo parece normal até que eles recebem a visita de um jovem, que, a mando de uma amiga da família, aparece para buscar alguns ovos, acompanhado de seu amigo. Muito educados, os jovens iniciam um processo de tortura psicológica com a dona da casa e tudo termina com muita violência.
   Violência Gratuita é uma refilmagem exata, quadro a quadro, do original criado pelo mesmo diretor da nova versão, Michael Haneke. O primeiro filme, lançado em 1997 e rodado na França, já havia chocado platéias por onde passou e, mesmo assim, conquistou diversos prêmios, incluindo a Palma de Ouro em Cannes. No mercado norte-americano, o filme de 2007 não recebeu a mesma audiência e não gerou mais do que 1,2 milhão de dólares. Mundialmente, faturou um pouco mais, segundo o Box Office Mojo, arrecadando pouco mais de US$ 5 milhões. Uma pálida recepção para uma produção tão interessante.
   Desde os créditos iniciais é possível perceber que não se trata de mais uma daquelas fitas hollywoodianas de terror. O clima do filme deixa quem o assiste tenso e sem saber o que esperar da dupla de maníacos que protagoniza o espetáculo de horror. Os dois não poupam cachorros, crianças e nem o público – há momentos em que um dos rapazes fala diretamente à audiência, como se o espetáculo que eles proporcionam fosse consciente e em prol de quem está acompanhado o filme. As vítimas escolhidas são os excelentes Naomi Watts e Tim Roth, sem mencionar o garoto Devon Gearhart, que são torturados impiedosamente pelo comportamento doente dos dois jovens, além dos abusos físicos que sofrem, culminando em um massacre.
   Além das intromissões que Michael Pitt, intérprete de um dos psicopatas, faz ao falar com a platéia, existem momentos em que o roteiro parece surreal. Para não estragar a surpresa, ficará subentendido que isso ocorrerá, mas sem revelar quando. Os diálogos entre os dois rapazes são impressionantes e dotados de um forte teor irônico e inteligente, não deixando dúvida de que, por mais insanas que as atitudes da dupla pareçam, eles sabem o que fazem e porquê o fazem – quebram as regras da sociedade agindo por meio delas de forma extrema e inimaginável, levando ao absurdo de ouvir um mero pedido de desculpas soar como uma tortura insuportável. Tudo isso para terminar da forma como começou. E, diga-se de passagem, este não é o final mais esperado pelo público norte-americano, acostumado às reviravoltas mais absurdas no roteiro para que o mocinho fique com sua amada e mate os vilões. Desta vez, a porta se abre ainda mais e o ciclo de ‘violência gratuita’, que os jovens nos dão o prazer de acompanhar, parece não ter fim.

Classificação: 10/10

Origem: EUA/2007

Direção: Michael Haneke

Elenco: Naomi Watts, Tim Roth, Michael Pitt, Brady Corbett

Duração: 111min

Classificação indicativa: NF

Distribuição: California

No cinema, abre em 19/09/2008. Em DVD, ainda não foi divulgado.

Página no IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0808279/

Atualização em 23/10/2008: A California lança este filme em DVD para locação em 16 e 17 de dezembro de 2008.

~ por andre1979 em 02/09/2008.

3 Respostas to “Violência Gratuita (2007)”

  1. twice you put tim roth before naomi watts which is wrong. as per official credits, watts is lead and listed before roth who is only supporting. please correct.

    mettete due volte il roth del tim prima dei watt di naomi che è errato. secondo gli accreditamenti ufficiali, i watt è cavo ed elencato prima di roth che sta sostenendo soltanto. corregga prego.

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  2. […] Filmes Prazeres Mortais (Donkey Punch) – Data de entrega: 16 e 17 dezembro Violência Gratuita (Funny Games US) – Data de entrega: 16 e 17 […]

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  3. Sou aficcionado do cinema e já perdi a conta dos filme que vi. Contudo o filme Funny Games, conseguiu deichar-me nervoso e seu roteiro e principalmente os diálogos sordidos, frios e irônicos, marcam uma relação ator-platéia de alta tensão. Não pode faltar na filmoteca dos admiradores do gênero. Nota 1000

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