Mario Bava

Mario Bava

O cinema italiano sempre funcionou como referência para quem busca originalidade. Independentemente do gênero do filme, os italianos sempre adicionaram um colorido diferente em suas obras. Quando falamos de filmes de terror, a Itália pode considerar-se um verdadeiro berço de grandes cineastas. Um dos pioneiros desta arte foi Mario Bava. Filho de um especialista em efeitos visuais, Mario nasceu em 31 de julho de 1914, em San Remo, região da Ligúria, Itália. Desde sua primeira infância, acompanhou seu pai em suas criações, aprendendo, assim, muito do que usou em sua futura carreira. Apesar do cinema estar presente em seu sangue e ser seu desejo de carreira, Mario Bava especializou-se em pintura.

Cedendo a seus talentos, durante as décadas de 1940 e 1950, realizou diversos documentários e pequenos filmes de propaganda, além de trabalhar como cineasta para outros diretores, trabalhando com fotografia e efeitos especiais, área na qual era especialista e considerado um gênio por muitos. Sua primeira experiência na cadeira de diretor aconteceu no filme “I Vampiri”, em 1956, que teve como diretor Riccardo Freda, que abandonou o set depois de uma discussão com os produtores. Mario aceitou o convite para substituí-lo, mesmo com o filme já em processo de filmagem, e gravou a maior parte das cenas do seu jeito e entregou a produção na data planejada, satisfazendo os produtores. A repercussão do filme foi ótima para a carreira dele e a película tornou-se um marco no cinema gótico italiano. Em 1959, a experiência repetiu-se duplamente e Mario Bava substituiu novamente Freda, em “Caltiki”, e Jacques Torneau, em “O Gigante de Maratona”. Com a experiência adquirida e a carreira encaminhada, havia chegado a hora de Bava estrear como diretor em seu próprio filme.

Em 1960, pela primeira vez iniciando uma produção como o diretor, além de roteirista e encarregado dos efeitos visuais, Bava lançou o inovador “Black Sunday – A Máscara de Satã”, estrelado pela musa Barbara Steele. Apesar de ter sido seu primeiro filme, este é considerado um de seus melhores trabalhos em toda a carreira. Depois deste sucesso, o italiano não quis focar-se em apenas um gênero e passou a dirigir produções nos mais variados estilos. Entre aventuras históricas, ficção científica e thrillers, sua próxima incursão no terror seria apenas em 1963, quando dirigiu “Black Sabbath – As Três Máscaras do Terror”, que contou com a inspirada participação de Boris Karloff. Ainda no mesmo ano, Mario Bava conduziu outra película, “Olhos Diabólicos” (The Girl Who Knew Too Much), considerado por muitos como o primeiro ‘giallo’ da história.

Voltando ao mundo dos sustos, Mario Bava dirigiu “Drácula, o Vampiro” (1963, também conhecido como “Drácula no Mundo do Sexo”) e “Blood and Black Lace” (1964). Em 1966, Bava, depois de dirigir outros filmes de aventura e faroeste, faria “Operazione Paura”, mais um enredo que lida com o sobrenatural e assassinatos. Uma pequena observação deve ser feita com relação ao ano de 1965. Foi nele em que o italiano dirigiu o tosco “Planeta dos Vampiros”, um clássico da ficção científica. Continuando, a esta altura de sua carreira, seus filmes, não importando o gênero, já eram obras de arte, cheios de cor e explorando a psicodelia que imperava à época. Mario já era referência para quem se aventurava no cinema europeu.

Nos anos seguintes, Bava especializou-se em produzir filmes de impacto, dirigindo “5 Bambole per la Luna D’Agosto” (1970), um ‘giallo’ sobrenatural; “Il Rosso segno della follia” (1970, ou “Hatchet for the Honeymoon”), outro filme que trafega entre o terror e o suspense, já com a inserção de elementos de ‘splatter’; “Reazione a catena” (1971, ou “A Bay of Blood”), conhecido no Brasil como “Banho de Sangue” ou “Mansão da Morte”, considerado um clássico dos ‘splatter movies’, que inspirou a série “Sexta-feira 13”, por exemplo; “Baron Blood” (1972), retornando ao sobrenatural e à bruxaria; “La Casa Dell’exorcismo” (1973), em que retrata uma mulher perturbada que é torturada psicologicamente quando visita uma velha mansão e acaba indo parar em um manicômio; e lançando, por fim, em 1974, um de seus mais controversos filmes, o policial “Rabid Dogs”. O filme retrata um grupo de criminosos em fuga que seqüestra uma família e os obriga a fugirem com eles.

Finalizando sua carreira de diretor no cinema, Mario Bava realizou “Schock” (1977), em que trabalhou com Daria Nicolodi, esposa, à época, de Dario Argento, outro italiano mestre do terror. O filme trata também de possessão demoníaca, fantasmas e suspense. Seu último filme seria “La Venere di Ille”, rodado para a televisão em 1979. Seu último trabalho conhecido é o de diretor-assistente do filme “Mansão do Inferno” (Inferno, 1980) de Dario Argento, em que cuidou da cenografia e da ambientação da casa, trabalhando ao lado de seu filho Lamberto, que também é um famoso diretor atualmente.

Mario Bava morreu em 27 de abril de 1980, em Roma, Itália, vítima de um ataque cardíaco fulminante.

OBS: As informações contidas neste artigo foram pesquisadas no IMDb, uma das mais confiáveis fontes de informação sobre cinema que se tem disponível. Também foram consultados artigos através da Internet, como o da Revista Carcasse, escrito por Carlos Thomaz Albornoz em setembro de 2006, além do precioso Boca do Inferno – a maior e mais completa fonte de informações em língua portuguesa sobre o gênero. Tomei a liberdade de escrever apenas o que diz respeito ao Terror, deixando de lado, propositalmente, vários filmes de sua carreira. O link para a filmografia completa é este. Infelizmente, há muito pouco em DVD lançado no Brasil sobre este diretor que marcou época.

~ por andre1979 em 30/09/2008.

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