Ruggero Deodato

Ruggero Deodato

A história dos filmes de terror é cheia de marcos interessantes. Estes filmes marcantes servem para orientar em tempo e espaço na longa linha do tempo do cinema. Uma das referências clássicas que temos são os filmes denominados ‘exploitation’. Na verdade, o termo ganhou mais notoriedade nos últimos anos, com o advento da tecnologia digital e a busca por transportar o gigante acervo que existe para esta nova mídia. Com isso, velhos tesouros acabaram sendo encontrados e colocados novamente em evidência. Neste início do século XXI, um grande número de produções recheadas de violência explícita ganhou as telas grandes e inundou o mercado do home video internacional. Com a alcunha de ‘filmes exploitation’, revelou-se um subgênero do Terror que até então as gerações mais jovens ainda não conheciam. É neste contexto que entra Ruggero Deodato. Mas o que este diretor italiano, nascido em Potenza, em 7 de maio de 1939, tem a ver com o assunto. Praticamente tudo, afinal, ele revolucionou a violência gráfica e inaugurou este novo subproduto que ganha notoriedade nos dias atuais.

Se você acredita que a moda da violência é coisa atual, engana-se. Como já mencionado em posts anteriores, como aquele em que apresento uma breve biografia de Mario Bava, por exemplo, a brutalidade e o excesso de sangue nas telas já existe há muito tempo. Contudo, Deodato colocou esta faceta do ser humano em destaque por sua crueldade e chocou o mundo com seu realismo. Você já ouviu falar “O Último Mundo dos Canibais”? Se o leitor pensa que já viu filmes violentos e ainda não assistiu a este clássico, então está muito enganado. Animais dilacerados, membros arrancados, nudez completa, tripas e muito sangue e gore. Este é o cardápio desta produção, lançada em 1977 e banida em diversos países. Um espetáculo do horror humano. É claro que depois dele vieram dezenas de imitações, tão fortes ou piores, inclusive novos trabalhos do mesmo diretor do original. Todavia, não se pode tirar o mérito de Ruggero Deodato e sua obra-prima.

O italiano começou sua carreira como diretor-assistente de diversos cineastas de destaque na Itália durante as décadas de 1950 e 1960. Ele trabalhou com nomes como Antonio Margheriti e Ricardo Freda, que também ajudou na carreira de Mario Bava. Sua estréia na cadeira principal foi no filme “Hercules, Prisioner of Evil” (1964), apesar de não ter recebido o crédito por isto. A fama veio com o sucesso do faroeste “Django” (1966), no qual trabalhou dirigindo diversas cenas, além de ser o assistente de Sergio Corbucci, diretor do filme. Até meados de 1970, Ruggero dirigiu algumas produções de aventura, a maioria adaptada de histórias em quadrinhos. Já na década de 1970, dedicou-se à televisão, mídia na qual dirigiu diversos episódios de seriados televisivos e alguns filmes.

Em 1977, Deodato entregou ao mundo aquele que seria um dos divisores de águas no realismo e na crueldade nos filmes de terror ao narrar a história de um grupo de sobreviventes de um acidente com um avião na selva amazônica. No meio do mato, o grupo se depara com os nativos da região, uma tribo de índios canibais, que têm como pretensão degustar os estrangeiros em sua próxima refeição. Com cenas de extremo gore, colocando no chinelo qualquer ‘splatter’ já feito até hoje, “O Último Mundo dos Canibais” (Ultimo Mondo Cannibale) é referência para qualquer diretor iniciante. Infelizmente, sua obra visionária não foi compreendida na época e o filme foi banido em muitos países, resultando em diversos processos contra o seu realizador.

Depois disso, Ruggero Deodato rodou mais dois filmes, um drama, “Last Feelings”, e um thriller de ação, pelo qual ganhou mais notoriedade, “Concorde” (1979). Em 1980, Deodato levou a cabo aquela que seria sua obra mais brutal. Dando continuidade ao mundo dos canibais, dirigiu e escreveu “Cannibal Holocaust”. Mais violento do que a última incursão no gênero, este filme também marcou época e gerou muitos protestos por parte dos defensores dos animais, além de ter sido rejeitado em diversos países, que se recusaram a exibi-lo.

OBS: Segundo alguns artigos consultados, o pai dos ‘splatter-exploitation’ envolvendo canibalismo não é Ruggero Deodato, mas Umberto Lenzi (que ganhará um artigo aqui, em breve). No entanto, a contribuição de Deodato é indiscutível.

Depois da nova polêmica, Ruggero realizou mais filmes de terror, incluindo “The House on the Edge of the Park”, de 1980; “Cut and Run”, de 1985; “Bodycount”, de 1987; “Phantom of Death”, de 1988; o fracassado “Dial Help”, de 1988; e, por fim, “The Washing Machine”, de 1993, sua última obra no gênero que o consagrou. No intervalo entre os filmes acima citados, Deodato participações em produções feitas para a televisão, dramas e aventuras, em sua maioria.

Atualmente, há rumores de que o famigerado diretor italiano esteja trabalhando em uma continuação de “Cannibal Holocaust”, cujo lançamento previsto é para 2009. Fica a expectativa de que ele retome seus trabalhos no gênero e que ele mostre aos diretores novatos como se faz o velho e bom ‘exploitation’.

O link para a filmografia de Ruggero Deodato no IMDb é este.

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