Garota Infernal

Saudações,

Esta é a terceira vez que tento escrever este texto. Na verdade, o burro aqui está com preguiça de fazer um arquivo em Word e está digitando diretamente no editor de textos do WordPress, que teria salvamento automático, supostamente. Já que este parágrafo está dedicado à seção de reclamações, vai mais uma: escrevi um texto caprichado na edição de setembro da Ver Video, falando sobre os filmes de terror que chegam para o Halloween. Só que o material acabou saindo totalmente errado, já que algumas distribuidoras alteraram seus cronogramas depois da publicação do texto. Logo, assim que eu tiver um tempinho, coloco em ordem o material e posto aqui. Pronto, lavei a alma. Agora, ao filme.

A Fox realizou ontem, dia 19 de outubro, uma cabine de imprensa do filme Garota Infernal (Jennifer’s Body), cuja estreia está programada para o dia 23 próximo, sexta-feira. O filme tem um atrativo à parte, levando em conta o foco que a mídia dá à produção: a sexy Megan Fox. Em alta no momento, a atriz protagoniza o filme, vivendo o papel-título, Jennifer. Antes de prosseguir à análise da película, o tal do “topless” da beldade é pura campanha publicitária, aviso aos marmanjos que esperavam por isso. A cena é muito rápida e não aparece nada, ao menos nos cinemas.

Poster nacional de Garota InfernalA trama é jovial e tem influências notórias de clássicos do gênero, como Evil Dead e O Exorcista, para dar alguns exemplos. Jennifer (Megan Fox) é uma jovem muito bonita, que chama a atenção dos rapazes da pequena cidade de Devil’s Kettle. Ela é amiga de Needy (Amanda Seyfried) desde criança, apesar das enormes diferenças de caráter entre as duas. Tudo  começa quando Jennifer chama Needy para ir ao bar local ver uma banda de “rock”, vinda da “cidade grande”, tocar – a bela garota está de olho no vocalista do grupo. Durante o show, a casa pega fogo e as duas amigas conseguem escapar graças à Needy, já que Jennifer parecia hipnotizada pelo cantor. Do lado de fora, o rapaz aparece e convida Jennifer a dar uma “volta” na van da banda e ela topa. Algumas horas depois, ela ressurge, totalmente ensanguentada e transtornada,  na casa de uma paranóica Needy. Depois disso, Jennifer passa a se comportar de forma estranha e absurda, o que faz com que Needy investigue o caso e descubra o que há de “infernal” em sua amiga. Paro a história por aqui para não revelar nada que possa estragar a diversão de quem for conferir Garota Infernal, tanto agora nos cinemas quanto em DVD, porteriormente.

OBS: Deste ponto em diante há spoilers, portanto, se não quer saber mais sobre o filme, pule para o final da página para ver a nota que dei.

Needy (Amanda Seyfried) e Jennifer (Megan Fox) na escolaEm termos de roteiro, Diablo Cody fez um bom trabalho, levando inúmeras referências de seu texto ganhador de Oscar. Os personagens do filme parecem terem saído de Juno, seu filme anterior, o que é interessante. Caricaturas à parte, a evolução dos personagens é bizarra. Na verdade, o único que trancede a mediocridade (literalmente, resgatando seu significado de mediano, comum) é Needy, que sai de seu mundinho de submissão àquela que acredita ser sua amiga para se tornar a salvação e o espírito da vingança, terminando no que vemos ser o começo do filme. Além de tudo isso, ela ainda consegue ser estranhamente sexy, até mais que Jennifer. Na minha opinião, a melhor coisa do filme.

Amanda Seyfried (Needy) em seus trajes pós-baile... e pós-luta com JenniferO personagem de Megan Fox representa a figura que ela mesma estereotipou em Hollywood – a garota quente, sensual e que devora os homens. Se isso foi o que a diretora, Karyn Kusama, e Diablo Cody pretendiam explorar, novamente de forma literal, no filme, não posso afirmar. Só posso dizer que Jennifer é estático. Na verdade, a única mudança está em seus hábitos alimentares, que mudam quando ela passa à condição de “succubus”, ou algo parecido – um demônio feminino que se alimenta de homens e tem em sua volúpia sua maior arma. Diga-se de passagem, Megan vende ao público justamente essa imagem. É uma pena, já que Jennifer oferece tanta margem para profundidade.

A trilha sonora de Garota Infernal é bacana e tem bastante peso. Os nomes das bandas, para mim, são incógnitas, já que não conheço nenhuma. A única que me fez algum sentido é a versão de “I can see clearly”, que eu conhecia na voz de Jimmy Cliff e é tocada no filme por Screeching Weasel, o que quer que isso seja. O ponto negativo, em minha opinião, fica para a tal banda demoníaca, que aparece tocando algumas vezes no filme. Que música mais chata! De resto, vale uma conferida.

Indo ao que mais interessa, o gore está presente no filme sim e dá conta do recado. Se a premissa de Garota Infernal é fazer terror com bom humor (ou humor negro, se te apetece o termo), missão cumprida. Há sangue, tripas e até a participação de aminaizinhos meigos da floresta no negócio. Até o Bambi aparece (hahaha!) e faz uma boquinha. Nesse ponto, o filme lembra Evil Dead, com certeza, por seu escracho e seu exagero.

Jennifer (Megan Fox) faz um lanchePara concluir este comentário (longo, vale dizer, já que estou com um tempinho livre na redação), fiquei surpreso com o “overall” do filme. Eu realmente não esperava muito, contava que sairia decepcionado da sala e foi o contrário que aconteceu. Um bom filme, não chega perto de Arraste-me Para o Inferno, mas diverte e certamente estará na minha prateleira quando for lançado. Vá conferir e me diga o que acha!

Recomendo! Nota 8,5 de 10.