31. A Sétima Alma

Ficha Técnica

Nome nacional: A Sétima Alma

Nome original: My Soul to Take

Ano de produção: 2010

País de produção: EUA

Direção: Wes Craven

Roteiro: Wes Craven

Elenco: Max Thieriot, John Magaro, Denzel Whitaker, Emily Meade

Duração: 99min

Distribuidora: Imagem Filmes

 

Resenha:

Pouco antes de lançar sua quarta produção para a franquia Pânico, o cineasta Wes Craven rodou A Sétima Alma, um terror adolescente com elementos que lembram os melhores filmes da carreira do diretor, como A Hora do Pesadelo e a própria série Pânico. Craven, todavia, entrega ao público um filme muitíssimo inferior aos seus cults, dando bons sustos, mas sem conseguir construir uma boa história para contar.

A Sétima Alma fala sobre eventos acontecidos 16 anos atrás, quando a polícia de uma pequena cidade (referência 1) segue em busca de um assassino em série que está fazendo muitas vítimas na região – o Estripador de Riverton. A polícia chega a um homem de 30 e poucos anos, casado e pai de duas crianças (uma delas à nascer a qualquer momento), que está sofrendo com crises de personalidade bastante violentas. Ele se revela o tal serial killer e ataca sua própria família. Os detetives evitam que o homem mate sua filha pequena e conseguem fazer o parto do bebê com saúde, mas o criminoso dá trabalho para morrer (referência 2) e causa muito estrago até desaparecer em um incêndio causado por um acidente de carro na floresta (referência 3). Ao mesmo tempo em que o tal Estripador morre, sete crianças (incluindo o filho dele) nascem na cidade e isso marca a cultura do local, que, passados 16 anos dos eventos, é celebrada a data do acontecido anualmente pelos jovens.

Durante um desses atos de celebração, Bug, um dos jovens nascidos na fatídica hora, é o escolhido para fazer as honras da festa. Pressionado pelos outros seis aniversariantes, ele fraqueja e é humilhado. Nada de anormal para ele, já que ele é o esquisitão da turma e tem sérios problemas psicológicos (referência 4). O que o décimo sexto ano tem de especial, não é explicado. O que se sabe é que depois que Bug quebra a tradição, o espírito do Estripador volta para se vingar e matar todas as crianças nascidas no dia de sua morte anos atrás. E é essa a deixa para que os jovens sejam mortos, de forma brutal, um a um, por uma figura misteriosa e sem identidade, que usa uma faquinha bacana (referência 5) para “estripar” suas vítimas.

Até o final do dito dia da morte e dos nascimentos, os garotos e garotas vão morrendo, ao mesmo tempo em que Bug descobre ter muito a ver com o assassino. Ao passar do dia, o rapaz vai surtando lentamente até o desfecho – um confronto com sua irmã revoltada e com sua pseudo-mãe. Tudo isso resulta em um banho de sangue na casa da família (referência 6).

Neste resumo que fiz de A Sétima Alma, fui cuidadoso para apontar seis referências para o leitor, apesar de não dar mais detalhes de a que elas se referiam. Se quem estiver lendo esta resenha for um fã de filmes de terror, a charada está resolvida. Caso seja este o primeiro contato com o gênero, a dica é que todas as situações que apontei são clichês, ou seja, coisas comuns a 90% dos filmes de terror que vemos por aí hoje, inclusive nas produções escritas e/ou dirigidas por Wes Craven, autor também deste filme em questão. Isso quer dizer que o filme é ruim? Não. Eu gostaria de dizer que é o oposto, mas não chega a tanto.

Um dos pontos positivos de A Sétima Alma está no clima que o filme cria, que apesar de rodar sobre muitos clichês, consegue manter um ritmo acelerado e restringir os cenários do filme, o que faz com que a história não se perca, nem no tempo e nem no espaço em que se desenrola. Outro aspecto interessante é a quantidade de sustos que o filme consegue dar, um sobre o outro. Quando tudo parece estar resolvido, lá vem um novo pulo do espectador. É legal até o recurso, que evita que o público de desligue da trama.

Ficando num meio-termo entre o bom e o ruim, o texto do filme, apesar de não ser nada brilhante e claramente trazer para si elementos de grandes sucessos de Wes Craven. Em particular, o assassino misterioso fica entre o imaginário Freddy Krueger e o jovial e destrambelhado serial killer da série Pânico: ora soa como um demônio mitológico, ora parece que um dos jovens é o tal maníaco homicida. No fim, tudo se revela, obviamente.

A parte ruim, algo que eu não posso deixar de falar já que este texto também serve de crítica, se resume a dois aspectos: o elenco e os efeitos especiais. O rapaz que dá vida a Bug, Max Thieriot, nunca tinha feito nada como protagonista antes, ao menos para o cinema, e ele parece esquisito demais para ser o “cara” do filme. A irmã dele no filme, ora chamada de Fang, ora pelo nome real dela (que eu até esqueci), Emily Meade, não fica atrás e exagera na garota revoltada-manipuladora que ela vive. No fim das contas, eles não dão à trama o que seria de mais bacana, seriedade e leveza ao mesmo tempo, já que não há química na relação deles. Na verdade, isso falta no elenco todo. Os efeitos especiais não são ruins, mas dá pra ver nitidamente que foram usados em demasia – todas as cenas de morte têm inclusão de sangue digital. Faltou o toque mais realista nas mortes – que sobrava nos outros filmes de Craven.

A Sétima Alma é um filme que acabou me desapontando ao seu término, sinceramente. Craven tinha nas mãos uma ótima massa, mas ele gastou isso fazendo um filme feito para passar na TV. Não é um filme ruim, é um terror eficiente, que mantém o público ligado na história e dá vários sustos. É uma boa diversão e só. Quem gosta de Wes Craven, depois de ver este filme, ficará com o pé um pouco mais para trás para ver Pânico 4. Vale uma espiada, sem compromisso.

 

Nota: 6

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