35. Ritual dos Sádicos

Ficha Técnica

Nome nacional: Ritual dos Sádicos / Despertar da Besta

Nome original: Ritual dos Sádicos / Despertar da Besta

Ano de produção: 1970

País de produção: EUA

Direção: José Mojica Marins

Roteiro: Rubens F. Lucchetti, baseado na história de José Mojica Marins

Elenco: José Mojica Marins, Ângelo Assunção, Ronaldo Beibe

Duração: 93min

Distribuidora: Cinemagia/Amazonas

Resenha:

Não sei dizer se O Ritual dos Sádicos (também conhecido como O Despertar da Besta) pode ser classificado como um filme de terror. Apesar de ter a assinatura do mestre nacional do gênero, José Mojica Marins, e conter diversas passagens de seus filmes anteriores, eu classifico este filme na categoria dos experimentais, dada a variedade visual (incluindo momentos em p&b e em cores) e os pontos de vista da narrativa, que se alternam a todo o momento apesar de seu ponto de partida ser sempre o mesmo.

O Ritual dos Sádicos tem como base de seu texto um debate entre um psiquiatra, alguns especialistas e José Mojica Marins (sim, ele interpreta a si mesmo) durante um programa de televisão que discute a influência dos filmes de Zé do Caixão na vida das pessoas. O médico realizou um experimento com quatro voluntários, que utilizaram uma quantidade controlada de LSD e foram expostos à imagem do personagem macabro. Feito isso, o psiquiatra monitorou as reações dos pacientes e preparou um livro sobre o tóxico (sempre pronunciado “tóchico” pelo médico, algo involuntariamente engraçado). Durante a apresentação dos delírios de cada um dos pacientes, os presentes à mesa discutem a qualidade do trabalho do cineasta, as distorções da mente humana e como as drogas mexem com a sociedade (isso, em 1970!).

O grande barato do filme fica por conta dos contrastes, já que ele começa com uma narração em off (fora da tela) do médico, que fala de cada um dos pacientes e mostra cenas da vida de cada um deles para dar contexto ao seu experimento. Detalhe é que todos os escolhidos são pessoas que já são usuárias de algum entorpecente e que levam vidas de algum modo alternativas (para não dizer pervertidas).

Outro aspecto interessante é o fato de as imagens principais da narrativa serem rodadas em preto-e-branco e os momentos de delírio dos pacientes ser em cores – e cores muito fortes, com intensos contrastes de vermelho, verde e amarelo, o que dá o tom psicodélico e setentista ao filme.

Falar sobre o roteiro é algo que deve ser feito com cuidado. A linha narrativa parece se distanciar do seu propósito em alguns momentos, quase se perdendo nas cenas em que mostra as perversões dos quatro indivíduos. Apenas depois de uns bons minutos o filme começa a fazer sentido – o ponto de partida seria o debate para a TV – justamente quando o médico e os convidados começam a falar propriamente do que se trata o experimento. Independente da aparente desordem, o começo do filme tem a assinatura de Mojica, relembrando seus filmes anteriores.

A parte visual é algo à parte. Um trabalho de arte, realmente. Muito se fala do trabalho visual de Dario Argento em Suspiria (1977), que usa cores fortes em contraponto à violência e ao suspense que ele cria. Em O Ritual dos Sádicos, Mojica, anos antes do mestre italiano, já usava tais contrastes multicoloridos como um personagem de suas cenas delirantes. Somado às cores, o som, apesar de toscamente dublado (outra marca do diretor), usa gritos e música estridente nos momentos mais coloridos. Isso passa para o espectador a mesma sensação de alucinação que o personagem está vivendo na tela, o que é muito interessante.

Um bom filme, que exige atenção do espectador no início, mas que depois de 20 minutos já se encontra numa narrativa linear e mais simples de assistir. Fica a referência de um bom trabalho de Mojica, que tem como tempero um documento de como a sociedade via o seu trabalho naquela época. Vale uma conferida.

 

Nota: 7

~ por andre1979 em 07/08/2011.

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