Lançamento: O Corvo

Saudações,

Muito esperado pelos fãs de Edgar Allan Poe e por fanáticos por terror em suas diversas formas de expressão (como este que escreve), acredito o filme O Corvo (The Raven) ficou aquém do esperado. É um filme ruim? Não, não é. Mas está longe de ser o próximo cult do momento. Tem o John Cusack, que não fazia um filme do gênero desde o bom 1408 (de 2007), interpretando Poe, que por acaso é o protagonista da trama inspirada em seus próprios trabalhos. Ficou confuso? Já explico.

A trama de O Corvo mostra os percalços que o escritor Edgar Allan Poe (vivido por Cusack) está passando para vender seus textos e se sustentar, ou melhor, se embebedar, já que é isso o que ele faz quando não está escrevendo ou cortejando a bela Emily Hamilton (Alice Eve), com quem tenta manter um relacionamento, apesar do pai da garota odiar Poe. Enquanto o autor vê seus trabalhos sendo rejeitados repetidamente pelo editor do jornal, um assassino começa a fazer vítimas na cidade. O detalhe é que o criminoso está usando passagens dos livros de Edgar para “ilustrar” seus violentos homicídios.

Curiosamente, o detetive Fields (Luke Evans), um dos investigadores do caso, é conhecedor dos textos de Poe e logo estabelece uma conexão entre as mortes e as obras literárias. Com isso, é questão de tempo para que a polícia recrute o escritor para ajudar, apesar de relutante, nas investigações. Edgar não quer se envolver no assunto, mas acaba tendo que participar, pois o serial killer sequestra Emily e a enterra viva, esperando que Poe, Fields e companhia solucionem o mistério e descubram o paradeiro da garota a tempo de tirá-la com vida do caixão.

O que posso destacar da trama, de modo geral, é que o roteiro é bem criativo até certo ponto, colocando pitadas do humor irônico característico de John Cusack no personagem e apostando no duelo entre o assassino e a polícia. ‘Até certo ponto’ pois nem sempre tal tipo de inserção cômica é interessante e faz bem para o clima, que supostamente seria mais escuro, tenso, como as obras de Poe. Outro ponto interessante é a transposição das mortes dos livros para o filme, que acabaram ficando bem estilosas e violentas, satisfazendo os fãs de cenas fortes e com bastante sangue. Mais um ponto positivo é a caracterização, que, se não é fiel ao século 19 (não tenho como avaliar, não lembro dessa época), ao menos tem bastante cor e contraste na tela.

Para fechar essa resenha, algumas informações adicionais. O Corvo é dirigido por James McTeigue, cineasta australiano que foi diretor-assistente dos filmes da série Matrix, do Episódio 2 de Star Wars, e comandou a direção do ótimo V de Vingança (2005). No Brasil, O Corvo chegou perto da marca de 250 mil espectadores, um bom número para uma produção de terror/suspense no país. A previsão de chegada em DVD e Blu-ray para o filme é 31 de agosto, nas locadoras. Quem traz o filme para o Brasil é a Paris Filmes.

Confesso que fiquei um pouco decepcionado com o filme, pois esperava mais de uma produção desse naipe. John Cusack e James McTeigue fazem um bom trabalho e o filme entretém, o que, afinal, é o objetivo de qualquer filme, depois de faturar milhões de bilheterias, claro. Apesar de não ter curtido tanto, recomendo, pois filmes que colocam suspense, terror e mistério juntos e na medida certa são raros – e O Corvo faz isso bem.

Nota 7 de 10.

Confira abaixo o trailer nacional de O Corvo:

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