Maré de Sangue

Saudações,

Um dos gêneros mais divertidos do Terror, o Slasher tem algumas características bastante peculiares, que rapidamente coloca os filmes desta categoria entre os favoritos dos marmanjos. Apenas para citar algumas, de modo geral, um Slasher perfeito possui belas garotas, um assassino motivado, uma trama interessante e muitas mortes. Citando alguns exemplos deste subgênero, temos o clássico Psicose (1960, de Alfred Hitchcock), Noite do Terror (1974, de Bob Clark) e o recente Pânico (1996, de Wes Craven). Os mais famosos são os filmes da série Sexta-Feira 13 e seus derivados, claro.

Agora, por que estamos tendo essa conversa? Antes de falar sobre Maré de Sangue, que a PlayArte colocou nas lojas agora em junho, era preciso estabelecer para o leitor alguns parâmetros de o que é preciso para se ter um Slasher bacana, para falar o mínimo. Pelo visto, quem teve a ideia de produzir Maré de Sangue esqueceu de fazer a lição de casa.

O filme começa com uma garota seminua perambulando por um tipo de pântano, aparentemente fugindo de alguma coisa ou de alguém, quando é puxada por gancho que lhe é enfiado nas costas por um ser vestido de pescador profissional. Daí o link para o nome, Maré de Sangue, cujo original seria The Watermen, ou ‘os marujos’ ou ‘homens do mar’. Feitas as apresentações, a trama principal começa com três garotas tomando sol na casa de um playboy chamado Trailor (Jason Mewes, o Jay dos filmes de Kevin Smith), que irá levá-las para um passeio de barco logo mais. Conversa vai, conversa vem e o assunto de todo o papo é o tamanho da genitália e da conta bancária do rapazote, entre outras frivolidades.

 

 

Paralelamente a isso, dois rapazes estão navegando perto dali, sendo que um deles está pesquisando a água e o outro reclamando e bebendo, observando a paisagem. Ao chegar ao porto, eles encontram Trailor, que os convida para integrar a festinha de logo mais. Quando os seis jovens partem para alto-mar, mal sabiam eles que o grupo despertaria nos navegadores locais a vontade de fazer um banquete com os turistas como prato principal. Já distante da costa, o iate pifa e fica à deriva, para o desespero de todos. E quem vem para ajudar? Os ‘homens do mar’ locais, que prontamente servem água fresca para os sedentos garotos. Só que a água estava batizada com um sedativo e todos apagam, despertando horas depois em um lugar que se parece com um açougue. O que vem a seguir pode ser resumido em peitos, mutilações e sangue, literalmente.

 

É duro resumir um filme dessa forma, mas é a triste realidade. A arte do DVD é bem interessante e a premissa também. Mas o que se vê ao apertar o play do aparelho é bem diferente da ideia inicial. O roteiro é muito obvio e didático demais, explicando muito as situações e tirando qualquer mistério que possa haver. Depois, as câmeras abusam dos closes no sangue e tripas, marcando um ambiente vermelho e escuro demais. A dose de nudez é até suficiente, sem sexo explícito, mas com as velhas espiadinhas do quarto das meninas na hora em que elas se trocam e tal. Tudo muito trivial. E aí vem a pior parte – sim, dá para piorar – que é o elenco. Conseguiram escalar um time de idiotas para interpretar… Idiotas! Não há emoção alguma além das traquinagens do personagem Trailor (já falo dele), dos dilemas das ‘gostosas’ e gritos e mais gritos.

Trailor é um caso à parte. Sou fã do trabalho do cineasta Kevin Smith. Desde O Balconista, passando por toda sua filmografia, incluindo o bom Seita Mortal (que logo resenharei aqui no blog). Para quem conhece Smith e seus filmes, há um par de personagens muito engraçados e totalmente sem noção – Jay e Silent Bob.

Jay, como eu disse antes, é vivido por Jason Mewes. Já Silent Bob é o próprio Kevin Smith. E a dupla está em quase todos os filmes do cara, o que obviamente marca bastante os atores que os interpretam – caso de Jason Mewes. O Trailor de Maré de Sangue parece que foi feito para o Jay entrar em cena, o que funciona a certa altura, mas que destoa de um Slasher em grande parte do filme. Sinceramente, eu fiquei esperando a hora em que Trailor/Mewes ia soltar um ‘snoochies moochies’ ou fala similar. Se serve de consolo, ele é um dos primeiros a morrer.

É isso. Vi Maré de Sangue com muita expectativa e pode ser por isso que fiquei ‘P’ da vida quando terminei de assistir. Se me perguntarem se eu recomendo, digo que você está por sua conta e risco. Também há a opção de ver o filme para ver se minha resenha bate. Boa sorte!

Nota 5 de 10.

Confira o trailer de Maré de Sangue abaixo:

Ficha Técnica:
Maré de Sangue
(The Watermen)
Gênero: Terror/Suspense – Origem: EUA/2011 – Direção: Matt L. Lockhart – Elenco: Jason Mewes, Richard Riehle, Floyd Abel – Duração: 89min – Classificação Indicativa: NF – Já nas lojas, em DVD, pela PlayArte

~ por andre1979 em 31/08/2012.

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